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Boric, presidente eleito do Chile: ‘Espero trabalhar ao lado de Lula’

‘Num momento em que o mundo está mudando rapidamente, o Chile também precisa mudar e se adaptar’, disse o jovem esquerdista

O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric. Foto: Martin Bernetti/AFP
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O presidente eleito do Chile, Gabriel Boric, afirmou que deseja “trabalhar ao lado” de Lula (PT), caso o petista confirme o favoritismo e vença as eleições de outubro.

No mês passado, Boric, que encabeçou a aliança Apruebo Dignidad, derrotou o candidato de extrema-direita José Antonio Kast. O jovem esquerdista, de 35 anos, tomará posse em 11 de março.

“Espero trabalhar ao lado de Luis Arce, na Bolívia, de Lula se ele ganhar as eleições no Brasil, de Gustavo Petro, cuja experiência se consolida na Colômbia. Acho que pode ser um eixo interessante”, declarou Boric em entrevista à BBC News publicada no domingo 23.

Na semana passada, Boric anunciou a composição de sua equipe ministerial, formada por maioria de mulheres e um economista ligado aos socialistas chilenos. Ao todo, das 24 cadeiras disponíveis, 14 serão comandadas por mulheres. O presidente eleito também integrou partidos de centro-esquerda ausentes na coalizão que o levou ao poder. A principal aliança com outsiders se deu no Ministério da Fazenda, que ficará com Mario Marcel, membro do Partido Socialista.

Outro destaque na nomeação da equipe de Boric ficou a cargo de Maya Fernanda Allende, neta do ex-presidente Salvador Allende, deposto pelo golpe de Augusto Pinochet. Ela é deputada do Partido Socialista e comandará a Defesa.

“O fato de termos conseguido isso se deve à luta de milhares de mulheres que, por muito tempo, empurraram as barreiras do que era considerado possível, e agora com a última onda feminista ainda mais”, disse Boric na entrevista sobre a formação de seu ministério.

Ele ainda afirmou que seu grupo representa “uma energia geracional de transformação que aprendeu ao longo do caminho a valorizar a história que nos constitui”.

“Representamos o ar puro, a juventude, a novidade, mas com consciência da cadeia histórica dos processos. Também representamos (a ideia de) que o status quo, ou o conservadorismo, é a pior coisa que pode acontecer ao Chile neste momento. Num momento em que o mundo está mudando rapidamente, o Chile também precisa mudar e se adaptar. Representamos a força de uma era.”

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