Política

Bolsonaro retoma discurso de 2018 e mente ao associar o PT à pedofilia

Atrás nas pesquisas, presidente volta a temas como estupro de vulnerável e ideologia de gênero ao conversar com apoiadores

Foto: Reprodução
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O presidente Jair Bolsonaro mentiu nesta quarta-feira 16 ao associar o PT a um projeto que supostamente relativizaria o crime de pedofilia no Brasil.

Em conversa com apoiadores na porta do Palácio do Alvorada, o ex-capitão retomou o discurso que usou na eleição de 2018 ao mencionar temas como ideologia de gênero e estupro de vulnerável.

“O PT há muito tempo tenta diminuir a idade do estupro de vulnerável”, mentiu o presidente. “Se uma menina de 14 anos tem uma relação com uma pessoa, tem uma penalidade para aquela pessoa”.

As declarações vão ao encontro dos boatos que circularam nas redes sociais na última disputada presidencial, entre Bolsonaro e Fernando Haddad. À época, circulava uma publicação que tratava de um projeto de lei que tornaria a pedofilia um ato legal e que “o sexo com crianças a partir de 12 anos deixaria de ser crime”. O cartaz fazia referência à campanha do PT.

Na verdade, o projeto era o PL 236/2012, de autoria do ex-senador José Sarney (MDB), que propõe mudanças no Código Penal, mas não há menção alguma a tornar “a pedofilia um ato legal”. O texto menciona alterar a idade máxima para que um menor seja considerado vulnerável, que passaria de 14 anos para 12.

A pedofilia, que é definida como o distúrbio caracterizado pela atração sexual por crianças, não é tipificada como crime, e, sim, relações sexuais com menores de 14 anos, independentemente de consentimento.

Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece penas para quem produz, divulga ou armazena material pornográfico infantil. Abuso e exploração sexual de menores também são crimes.

Na conversa com os apoiadores, Bolsonaro ainda associou os adversários com ideologia de gênero nas escolas e contrários à redução da maioridade penal.

Os ataques ao PT voltam no momento em que as pesquisas de opinião apontam uma pequeno crescimento de Bolsonaro. No levantamento da Quaest, divulgado nesta quarta, o ex-capitão aparece 20 pontos atrás de Lula. O petista tem 45% contra 25% do atual presidente.

Bolsonaristas usam pedofilia nos ataques

Apoiadores do presidente usaram as redes sociais nos últimos dias para criticar o filme Como se tornar o pior aluno da escola (2017), do humorista Danilo Gentili, que teria uma cena com suposta apologia à pedofilia.

Ministério da Justiça mudou a indicação etária da obra e o ministro titular da pasta, Anderson Torres, determinou que o filme seja removido dos catálogos das plataformas de streaming no Brasil.

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