Política

Bolsonaro repete ataques, cita militares e volta a insinuar ‘sombra da suspeição’ na eleição

‘Não vão ser jogadas no lixo suas sugestões e observações’, afirmou o ex-capitão, no Rio, sobre o papel das Forças Armadas no processo eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP
O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP
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O presidente Jair Bolsonaro insistiu nesta quinta-feira 19 em sua ofensiva contra instituições democráticas e o sistema eleitoral brasileiro. No Rio de Janeiro, ele afirmou que as propostas das Forças Armadas para o pleito “não vão ser jogadas no lixo” e voltou a mencionar uma “sombra de suspeição”.

O ex-capitão ainda repetiu acusações ao Supremo Tribunal Federal e alegou passar “mais da metade do tempo” se defendendo de “interferências indevidas” em seu governo.

Nesta quinta, o ministro Alexandre de Moraes, que assumirá em agosto a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, declarou que a Justiça Eleitoral combate “aqueles que são contrários aos ideais republicanos”.

Durante o Congresso Mercado Global de Carbono, Bolsonaro retomou insinuações vazias sobre o sistema eleitoral e tentou, mais uma vez, tirar a legitimidade do processo.

“As Forças Armadas foram convidadas a participar do processo eleitoral, e não vão ser jogadas no lixo suas sugestões e observações. Quem porventura votar no outro lado, queremos que seja respeitado, e quem votar do lado de cá também. Não podemos enfrentar um sistema eleitoral (sobre o qual) paire a sombra da suspeição”, disse o presidente.

Estiveram ao lado de Bolsonaro no evento os ministros Ciro Nogueira (Casa Civil) e Joaquim Leite (Meio Ambiente) e os ex-ministros general Braga Netto (Defesa) e general Eduardo Pazuello (Saúde).

“O voto é a alma da democracia, e por isso tem que ser contado publicamente e auditado”, prosseguiu Bolsonaro no Rio. “Não vão ser duas ou três pessoas que vão bater no peito, dizer que vai ser desse jeito e que vão cassar registro e prender quem agir diferente.”

O TSE desmente com frequência as fake news de Bolsonaro sobre a contagem dos votos. Neste mês, no ofício em que respondeu a sugestões do Ministério da Defesa sobre o sistema eleitoral, o tribunal negou a existência de uma “sala escura” para apuração dos votos, uma das alegações do ex-capitão.

Entre as propostas encaminhadas à Justiça Eleitoral, a Defesa recomendava que “a totalização dos votos seja feita de maneira centralizada no TSE em redundância com os TRE, visando a diminuir a percepção da sociedade de que somente o TSE controla todo o processo eleitoral e aumentar a resiliência cibernética do sistema de totalização dos votos”.

Ao responder, o TSE mencionou, por exemplo, a sugestão de peritos da Polícia Federal de uma centralização dos computadores que processam a totalização, “como uma forma de diminuição da superfície de ataque de hackers“.

“Adicionalmente, os computadores centralizados ganharam, pela primeira vez, ambiente redundante que assegura que, em caso de pane em um equipamento, outro possa imediatamente tomar seu lugar. Não há, pois, com o devido respeito, ‘sala escura’ de apuração. Os votos digitados na urna eletrônica são votos automaticamente computados e podem ser contabilizados em qualquer lugar, inclusive, em todos os pontos do Brasil.”

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