Política

Bolsonaro muda data de exoneração de Weintraub após TCU pedir explicações

A exoneração do ex-ministro só foi publicada depois que ele conseguiu entrar nos EUA utilizando seu passaporte diplomático

Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub (Foto: Valter Campanato/ABR)
Jair Bolsonaro e Abraham Weintraub (Foto: Valter Campanato/ABR)
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O governo de Jair Bolsonaro mudou nesta terça-feira 23 a data de exoneração de Abraham Weintraub, ex-ministro. A alteração foi publicada no Diário Oficial da União como uma retificação. A saída do ex-chefe da pasta foi adiantada para o dia 19, mas o decreto original foi publicado no dia 20 de junho.

Isso aconteceu porque Weintraub só foi exonerado oficialmente do cargo após utilizar seu passaporte diplomático de ministro para conseguir entrar nos EUA, já que o país impôs restrições a turistas brasileiros por conta da pandemia do novo coronavírus.

Nesta segunda, o ex-ministro usou suas redes sociais para agradecer a todos os que o ajudaram a chegar em segurança nos Estados Unidos. “Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim”, publicou.

Com a mudança, Weintrab pode ser acusado de utilizar o passaporte diplomático indevidamente, já que viajou para Miami após não ser mais ministro.

A alteração aconteceu após o  Ministério Público, junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), ingressar com uma representação para que a Corte apure uma possível participação do Itamaraty na viagem do ex-ministro. Na avaliação do sub-procurador Lucas Furtado pode ter havido desvio de finalidade por parte da pasta comandada por Ernesto Araújo, já que o ingresso de seu colega em Miami, sem caráter oficial, só ocorreu graças ao passaporte diplomático.

Na representação, o sub-procurador ressalta que a viagem não detinha nenhum caráter oficial, “o que lhe retira a finalidade pública” e, por isso, o passaporte diplomático não poderia ter sido utilizado como justificativa para o então ministro ingressar no País.

Questionado, o Planalto explicou que na carta de pedido de demissão apresentada por Weintraub, o ministro solicitou exoneração do cargo a contar de 19 de junho, por isso a data foi alterada no Diário Oficial da União. Esta carta não foi apresentada.

Alexandre Putti

Alexandre Putti
Repórter do site de CartaCapital

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