Enquanto se recusa a participar de debates, Bolsonaro se aproveita do espaço privilegiado em desacordo com a legislação
Enquanto se recusa a participar de debates, Bolsonaro se aproveita do espaço privilegiado em desacordo com a legislação
O encontro, que aconteceu em Foz do Iguaçu (PR) e oficializou o general Joaquim Silva e Luna na diretoria da hidrelétrica, também contou com a presença do atual presidente paraguaio Mario Abdo Benítez, conservador do Partido Colorado e lembrado por Bolsonaro por ser, assim como ele, “paraquedista militar”.
➤ Leia também: Reforma da Previdência apresentada por Bolsonaro é anacrônica
Os militares da Ditadura foram lembrados pelo presidente brasileiro pelo fato de a construção da Hidrelétrica de Itaipu ter ocorrido durante o período militarizado. Bolsonaro citou o marechal Castello Branco, primeiro ditador do regime de 1964 e um dos articuladores do regime, dizendo que a chegada ao poder se deu “à luz da Constituição vigente naquele momento”.
Defendeu a “grandiosidade da obra”, que fez parte dos governos de Costa e Silva e Médici, e que “realmente saiu do papel e se tornou realidade” durante o governo de Ernesto Geisel. Aproveitou e elogiou o general João Figueiredo como “saudoso e querido”.
➤ Leia também: Previdência de Bolsonaro produzirá massa miserável, avalia economista
A usina hidrelétrica de Itaipu foi inaugurada em 5 de maio de 1984, durante o governo do general João Figueiredo.
Apó a homenagem aos ditadores, Bolsonaro citou o versículo bíblico João 8:32: “E conhecerais a verdade e a verdade vos libertará”. E gritou: “Esquerda nunca mais.”
➤ Leia também: Ernesto Araújo sobre o pai: apoiou ditadura e atuou contra Lula na PGR
Durante seu discurso, o presidente pediu “patriotismo” por parte dos parlamentares para que a Reforma da Previdência, encaminhada ao Congresso Nacional na quarta 20, seja aprovada. “Caso contrário, economicamente o Brasil é um país fadado ao insucesso”, resumiu.
A proposta precisa ser aprovada por pelo menos 308 dos 513 dos deputados e por 49 dos 81 senadores. Antes da votação, precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, que analisará se o texto fere algum princípio constitucional.
➤ Leia também: Manifesto critica ação do governo contra vítimas da Ditadura
... Mas não se vá ainda. Ajude-nos a manter de pé o trabalho de CartaCapital.
O jornalismo vigia a fronteira entre a civilização e a barbárie. Fiscaliza o poder em todas as suas dimensões. Está a serviço da democracia e da diversidade de opinião, contra a escuridão do autoritarismo do pensamento único, da ignorância e da brutalidade. Há 25 anos CartaCapital exercita o espírito crítico, fiel à verdade factual, atenta ao compromisso de fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste.
Nunca antes o jornalismo se fez tão necessário e nunca dependeu tanto da contribuição de cada um dos leitores. Seja Sócio CartaCapital, assine, contribua com um veículo dedicado a produzir diariamente uma informação de qualidade, profunda e analítica. A democracia agradece.