Bolsonaro diz que tem olhos na política externa, mas prioriza o Brasil

Presidente discursou em reunião na cúpula dos Brics: 'Relevância econômica do bloco é inquestionável'

Presidente Jair Bolsonaro discursa em reunião com a cúpula dos BRICS. Foto: Alan Santos/PR

Presidente Jair Bolsonaro discursa em reunião com a cúpula dos BRICS. Foto: Alan Santos/PR

Política

O presidente Jair Bolsonaro afirmou à cúpula de líderes do Brics, nesta quinta-feira 14, que a política externa de seu governo “tem os olhos postos no mundo, mas, em primeiro lugar, no Brasil”. Desde quarta-feira 13, os presidentes do bloco formado por Brasil, África do Sul, China, Índia e Rússia reúnem-se em Brasília. Neste ano, o Brasil exerce a presidência rotativa do bloco.

Bolsonaro disse que a política externa do Palácio do Planalto põe o Brasil acima de outras prioridades porque esta é a “necessidade” da sociedade.

“Senhores chefes de Estado e de governo, a política externa do meu governo tem os olhos postos no mundo, mas, em primeiro lugar, no Brasil, para estar em sintonia com as necessidades de nossa sociedade”, afirmou.

“[A política externa do meu governo] Reconhece, como parte de suas obrigações, ajudar a ampliar o bem estar de nossos cidadãos, sob formas de avanços em ciência, tecnologia e inovação, de mais e melhores empregos, de mais renda, de um melhor sistema de saúde pública e tudo o mais que faça a diferença para o melhor do cotidiano de todos.”

Bolsonaro disse que “se orgulha” de ter conduzido sua presidência em favor da cooperação interna entre os países do Brics e exaltou as mais de 100 reuniões ocorridas ao longo do ano, em diferentes níveis e setores.

Entre as áreas de interesse em comum entre o Brasil e o bloco, segundo o presidente da República, estão finanças, saúde, comunicações, meio ambiente, energia, agricultura, trabalho, ciência, segurança nacional e comércio.

O presidente enalteceu iniciativas do Brasil nessas áreas, como no combate ao terrorismo e à corrupção e negociações de acordo de assistência aduaneira.

Segundo ele, sua expectativa é de que haja “proveitosa” cooperação entre as nações do conjunto, devido à “pujança no plano econômico, junto à diversidade, à criatividade e o vigor de nossos povos”.

Na reunião da cúpula dos Brics, Bolsonaro tem a tarefa diplomática de lidar com um país assumidamente comunista, a China, que acompanha as outras nações do bloco em opiniões sobre a geopolítica que divergem diametralmente da orientação ideológica do Palácio do Planalto.

O Brasil é o único no bloco, por exemplo, que defende Juan Guaidó como mandatário da Venezuela, enquanto todos os outros reconhecem Nicolás Maduro como legítimo presidente do Palácio de Miraflores.

O Brics foi formado em 2006, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e se reúne pela 11ª vez neste ano. O bloco nasceu para se tornar um eixo econômico alternativo ao representado pelos Estados Unidos, no entanto, com a entrada de Bolsonaro do poder, o Brasil quebrou esta orientação e, em poucos meses, acenou alinhamento automático ao presidente americano Donald Trump.

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Repórter do site de CartaCapital

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