Bolsonaro defende PIB e ataca imprensa: “Estamos perdendo o direito de fazer piada”

Em tentativa de explicar baixo crescimento, Bolsonaro assumiu que não entende do assunto e disse que 'tá muito bem a economia'

O presidente da República queixou-se de má repercussão de PIB fraco. Foto: Reprodução/Facebook

O presidente da República queixou-se de má repercussão de PIB fraco. Foto: Reprodução/Facebook

Política

O presidente Jair Bolsonaro reagiu à repercussão da imprensa sobre o baixo índice de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que subiu apenas 1,1% em 2019. Durante transmissão ao vivo em sua rede social, nesta quinta-feira 5, Bolsonaro lembrou que, no governo de Dilma Rousseff (PT), houve recessão nos números do PIB.

O presidente tentou seguir a linha de explicação que o ministro da Economia, Paulo Guedes, utilizou mais cedo, durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em que disse que a economia sofre “altos e baixos”.

“Se for levar em conta os últimos anos, teve altos e baixos sim. No governo Dilma, tivemos dois anos consecutivos de PIB negativo de 3,5% e 3,3%. Gostaríamos que não fosse negativo. No primeiro governo Temer, já deu uma recuperada, passou de -3,3% para +1,3%. Então, é um crescimento de 4,6%”, afirmou. “No segundo governo Temer, deu 1,3%. O nosso deu 1,1%.”

Em seguida, o presidente tentou justificar o índice atual, mas assumiu que não entende do assunto e afirmou que a economia vai muito bem.

“Mas o detalhe que a imprensa não noticiou. Eu não entendo de economia, o posto Ipiranga que entende, tá certo? E ele explicou para o pessoal lá que a grande parte da participação do PIB agora, no último trimestre, foi 1,7%. Então, se fosse 1,7% a cada trimestre, seria 1,7%, seria acima do 1,3% do governo Temer. Mas disse que houve muito mais participação da iniciativa privada do que o serviço público na questão de fazer o número final do PIB. Então, tá muito bem a economia, graças a Deus”, disse o presidente.

Bolsonaro afirmou ainda que “a imprensa continua ganhando mais descrédito” e anunciou que não fará mais declarações a jornalistas porque “quando você fala, eles deturpam, e quando você não fala, eles inventam”. O presidente lembrou o episódio de quarta-feira 4, em que o humorista Carioca, da emissora Record, distribuiu bananas a repórteres em frente ao Palácio do Alvorada, em Brasília.

Ele disse que, um dia antes, gravou uma entrevista “descontraída” com o comediante, que será exibida no domingo 8, na TV do bispo Edir Macedo. Bolsonaro disse que “tirou a pele de presidente da República” durante a entrevista e, no dia seguinte, o humorista levou espontaneamente as bananas para a imprensa.

“Ele saiu do carro dele na frente e desceu, saiu com a minha cara, com a faixa de presidente e com uma caixa cheia de banana do lado. Saudou o povo e ofereceu banana para a imprensa. A imprensa não gostou, ficou irritada né? Parei para falar com o povo e a imprensa queria me entrevistar. Eu não tô falando com a imprensa. É direito de perguntar? É. Perguntar, inclusive, muita besteira, pelo amor de Deus”, disse.

O presidente negou que tenha contratado o humorista para intimidar a imprensa em vez de comentar sobre o PIB.

“Eu vi alguém questionando o Carioca se eu havia contratado para fazer afronta à imprensa. Ele falou: ‘Não, eu tô aqui porque eu sou o presidente fake’. Aí a imprensa perguntou pra mim: ‘E o PIB?’. [Eu disse] ‘O presidente hoje é ele’. Manchete na Folha de S. Paulo: ‘PIB cai e Bolsonaro faz piada’. Piada é a Folha de S. Paulo. Ainda tem gente que anuncia nesse lixo chamado Folha de S. Paulo“, disse o presidente.

Bolsonaro rebateu acusações de que ofenda a imprensa e recomendou que os jornalistas deixem de procurá-lo. Além disso, pediu que os jornais sigam o versículo bíblico “João 8:32” em vez de, segundo ele, divulgarem mentiras. O presidente também reclamou de más repercussões de suas piadas.

“Não dá para eu continuar falando e distorcendo. Procurando uma palavrinha esquisita ali para dizer: ‘Olha o que ele está pensando’. ‘Olha, falou que o cara pesa oito arrobas, não pode’. ‘Criticou a mulher, criticou gay, criticou não sei quem’. Não dá para continuar assim. Nós estamos perdendo direito de fazer piada no Brasil. Tudo agora tem que ser politicamente correto. Você não pode contar uma piada sem pensar: ‘Será que vou ofender os gordinhos, gordofóbico? Os carecas, carecofóbico?”, questionou.

– Live de quinta-feira com o Presidente da República (05/03/2020).. Temas: politicamente correto, viagem aos EUA, investidores nacionais e internacionais da tilápia e tambaqui brasileiros, conversa com empresários na FIESP, turismo náutico e possibilidades para expansão de empregos, serviços e infraestrutura, alguns deputados insistem em revogação de decretos que favorecem a população, passagem pelo Rio Grande do Norte para entregas e anúncios do Governo Federal, ida à Boa Vista (RR): Operação Acolhida e projetos de infraestrutura, além de necessidade de aprovação do Congresso para retaguarda jurídica às Forças Armadas em caso de GLO.. Link no youtube: https://youtu.be/K8z5SUbkZT8

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Thursday, March 5, 2020

 

 

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Repórter do site de CartaCapital

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