Política
Bolsonaro é diagnosticado com ‘intensa esofagite’ e cancela compromissos programados para julho
O ex-capitão alega que crises de soluços e vômitos o impedem de falar
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi diagnosticado, nesta quarta-feira 2, com uma intensa esofagite. A informação consta em um novo boletim médico divulgado por Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama. Horas antes, ela também confirmou que o ex-capitão decidiu cancelar toda a sua agenda de compromissos para o mês de julho.
Na noite de terça-feira 1º, o próprio ex-presidente já havia cancelado sua participação em um evento do PL em Brasília, programado para esta quarta. Aos parlamentares, Bolsonaro informou que “crise de soluços e vômitos” o impedem de falar. “A agonia continua”, escreveu aos correligionários. Ele reiterou a afirmação em uma publicação nas redes sociais.
Segundo o documento divulgado por Michelle, Bolsonaro tem, além da esofagite, um “processo inflamatório, erosões na mucosa esofágica e gastrite moderada”. O repouso durante todo o mês de julho servirá, segundo o boletim, para “garantir a completa recuperação de sua saúde após cirurgia extensa e internação prolongada, episódio de pneumonia e crises recorrentes de soluços”.
Bolsonaro terá, ainda de acordo com o comunicado, “dieta regrada” e foi orientado a seguir em repouso e com moderações na fala. O tratamento, neste caso, não envolve qualquer procedimento cirúrgico e será feito com a intensificação do uso de remédios.
O ex-presidente tem convivido, desde 2018, com problemas intestinais em decorrência da facada sofrida durante a campanha eleitoral. No episódio mais recente relacionado ao caso, Bolsonaro ficou internado por três semanas entre abril e maio para se recuperar de uma cirurgia para desobstruir o intestino.
Nos próximos dias, além da agenda no PL em Brasília, o ex-capitão programava uma viagem a Santa Catarina, onde teria compromissos em Balneário Camboriú – cidade em que seu filho Jair Renan é vereador – e Florianópolis.
No último domingo 29, Bolsonaro esteve em um ato em São Paulo contra a sua possível condenação no Supremo Tribunal Federal no caso da trama golpista. O protesto teve baixa adesão e reuniu cerca de 12,4 mil pessoas, segundo uma estimativa do Monitor do Debate Político, formado por pesquisadores da USP.
Na ação questionada pelo ex-capitão no protesto, ele é acusado de cinco crimes, entre eles o de golpe de Estado. Bolsonaro também é apontado como chefe de uma organização criminosa.
Segundo a acusação, o suposto plano golpista montado pelo ex-presidente não se concretizou devido à falta de apoio da alta cúpula militar.
Durante seu interrogatório perante o STF no mês passado, Bolsonaro admitiu ter considerado “dispositivos constitucionais” após o fracasso de suas contestações eleitorais, mas negou qualquer participação em um plano para impedir a posse de Lula.
“Nunca se falou em golpe, golpe é uma coisa abominável”, declarou durante o julgamento, que deve ser concluído este ano.
Caso seja considerado culpado, Bolsonaro pode ser condenado a até 40 anos de prisão.
(Com informações de AFP)
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