Política

Bolsonaro agora mira gestões da caixa

Após uma longa campanha contra as urnas eletrônicas, o presidente Jair Bolsonaro mudou de alvo

Foto: EVARISTO SA / AFP
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Após uma campanha contra as urnas eletrônicas, o presidente Jair Bolsonaro mudou de alvo e passou a criticar as gestões passadas da Caixa Econômica Federal e do BNDES, em governos petistas. Ao lado do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, Bolsonaro citou, em transmissão ao vivo pela internet nesta quinta, 19, supostos problemas ocorridos nas duas instituições durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff.

O movimento deixa clara a intenção do presidente de tentar desgastar politicamente Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto, o associando às irregularidades. “Vocês tem de entender o que aconteceu em gestões anteriores”, disse o presidente, se referindo primeiro ao BNDES. “O grosso do emprestado para o exterior foi entre 2003 e 2016. Pega Lula e Dilma. O total, Lula e Dilma, é na ordem de 10 bilhões de dólares. Vezes cinco, cinquenta e poucos bilhões de reais. Perdas para o Brasil. Possíveis calotes. No momento, já está em 1,5 bilhão de dólares. O que a gente faz com um bilhão e meio de dólares? Quase oito bilhões de reais. É o orçamento anual do Tarcísio”, afirmou Bolsonaro.

Pedro Guimarães foi direto em mostrar a intenção de tentar comparar o atual governo com os petistas. “Hoje em dia, parece que as pessoas esqueceram como acontecia no passado”, disse. Ao lado do presidente, Guimarães repetiu críticas feitas mais cedo sobre perdas ocorridas em gestões passadas da Caixa. “De 2004 a 2017, existiu uma série de operações na Caixa, no FGTS, que é o fundo dos trabalhadores, e FI-FGTS, outro fundo, todos garantidos pela Caixa. Foram 46 bilhões de reais que a Caixa Econômica Federal perdeu, diretamente, ou por ter que garantir a rentabilidade do FGTS e do FI-FGTS. Ou seja, os brasileiros perderam em empréstimos, ou investimentos em empresas”, disse.

“Como o presidente falou antes, não foram feitos de maneira correta. Isso está no nosso relatório de administração, páginas três e quatro, mostrando as ressalvas, ou seja, pendências no balanço. Com investigação no Ministério Público Federal e da Polícia Federal“, disse.

Guimarães observou que as irregularidades foram investigadas no passado e geraram, inclusive, punições e prisões. “O Ministério Público e a Polícia Federal já realizaram essas investigações. Teve gente devolvendo dezenas de milhões de reais, pessoas que ganhavam vinte ou trinta mil reais, devolvendo mais de vinte ou trinta milhões de reais”, disse.

“Só que nunca houve de maneira transparente para sociedade. Não posso falar de novas investigações, isso é um sigilo, mas as investigações que já ocorreram fizeram com que, durante dez anos a Caixa, o FGTS, o FI FGTS, tivessem problemas em seus balanços. Cada um em uma época diferente”, afirmou.

No caso específico dos empréstimos feitos pelo BNDES, houve até a abertura de uma CPI na Câmara, mas que acabou tendo pouco resultado prático. Desde sua posse, Bolsonaro citou diversas vezes a existência de uma suposta “caixa preta” no BNDES, mas as investigações não produziram fato concreto.

Perguntado se achava que o retorno da antiga administração ao governo poderia causar novos problemas na Caixa, Guimarães foi direto. “Não tenho nenhuma dúvida que volta tudo. É muito simples. Isso aconteceu durante muitos anos. É muito poder na Caixa Econômica Federal. A Caixa tem um poder muito maior que basicamente todos os ministérios. Porque nós fazemos política social, tem 800 bilhões de reais de crédito. Mas não tem mais patrocínio de clube de futebol, não tem mais publicidade, e não tem investimento, nem crédito, para grande empresa”, afirmou.

Estadão Conteúdo

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