Política

Bolsonarismo derrete e não emplaca ‘celebrações’ à ditadura nas redes

Hashtags como #viva64, #feliz31, #salve31 e #viva31demarço agregaram menos de 20% das interações sobre o tema nas redes sociais

O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Edson Leal Pujol, então comandante do Exército. Foto: Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Edson Leal Pujol, então comandante do Exército. Foto: Marcos Corrêa/PR
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Nem o com apoio direto do presidente Jair Bolsonaro, do vice-presidente Hamilton Mourão, de deputados como Carla Zambelli os bolsonaristas conseguiram emplacar a “celebração” do dia 31 de março, data em que foi instaurada no Brasil a ditadura militar.

O que os bolsonaristas experimentaram nesta quarta 31 foi um massacre nas redes sociais nas últimas horas. Praticamente isolados, o enaltecimento da ditadura que vem sendo construído por eles há alguns dias naufragou. Há algumas semanas os bolsonaristas não têm conseguido emplacar narrativa nas redes sociais, segundo monitoramento diário do especialista  em dados Pedro Barciela.

O quadro abaixo mostra os seguintes grupos: em vermelho – que corresponde a 44,62% dos usuários e 41% das conexões – todos aqueles que repudiam ou são contrários ao discurso pró 31 de março de forma mais enfática. Nesse grupo estão jornalistas, partidos como o PT, o PSOL e até mesmo o governador de São Paulo João Doria.

O grupo conta com o apoio dos grupos marrom, azul e amarelo, que também repudiam ou se posicionam contra a ditadura militar e medidas como o AI-5, por exemplo. Juntos, correspondem a mais de 26%. Nesse grupo estão Guilherme Boulos, Ciro Gomes, MST e outras organizações e personalidades progressistas.

Já o grupo verde representa os bolsonarista. Com hashtags como #viva64, #feliz31, #salve31, #viva31demarço, agregaram apenas 19,64% dos usuários – número bem menor que em outras mobilizações promovidas por eles – e míseras 27% das conexões.

“Nas últimas semanas, percebemos que os bolsonaristas estão com muita dificuldade de pautar as redes sociais. Eles perderam o controle da narrativa. Outra questão que precisa ser destacada é: eles também não estão conseguindo impor a chamada ‘cortina de fumaça’, ou seja, criar factóides para desviar pautas negativas para o presidente”, explica Barciela. “Mesmo com toda mobilização de todos os lados quanto ao 31 de março, experimentamos também um aumento do tema da pandemia, ou seja, as pessoas seguem falando sobre covid.”

Chama a atenção também que os ataques promovidos pelos bolsonaristas atingiram dois perfis em especial: o da jornalista Miriam Leitão – que foi torturada na ditadura – e do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e outros ministros. Por isso, eles acabaram ‘puxados’ para o cluster bolsonarista.

Neste post da jornalista, o elevado numero de ataques misóginos, violentos, chama atenção, mencionando, inclusive, detalhes da tortura à qual foi submetida.

O post que levou as milícias digitais a Gilmar Mendes foi esse:

Desde que assumiu, Bolsonaro tem solicitado à justiça comemorações formais do 31 de março. Ele já foi denunciado às cortes internacionais por sua postura de defesa da tortura e dos homicídios ocorridos naquele período.

Ana Flávia Gussen
Repórter da revista CartaCapital

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