Economia
Aviso sobre inquérito da PF aparece em conversa no celular de Vorcaro
Integrantes do grupo do banqueiro, indicam as investigações, acessavam indevidamente sistemas da PF, do MPF e até de organismos internacionais
As investigações da Polícia Federal no caso do Banco Master apontam que integrantes do grupo de Daniel Vorcaro acessavam indevidamente sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até de organismos internacionais, a fim de interferir em apurações. As consultas ocorreriam com o uso de credenciais de terceiros e permitiriam conseguir informações sigilosas.
Uma das mensagens obtidas pela PF no celular de Vorcaro registra a ocasião em que o banqueiro recebeu, em 2024, atualizações sobre um inquérito de seu interesse. O interlocutor não era um contato salvo no aparelho e, por isso, apenas seu número de telefone na conversa.
Dizia a mensagem, com a manutenção de erros ortográficos: “Inquérito PF 56/2024 não dara seguimento hoje no BC muitas Operações Fraudolentas Fundo internacional petróleo indeferimento. Não soube estancar o inquérito iniciou e parou…”
CartaCapital solicitou à Polícia Federal explicações sobre o inquérito mencionado, mas não houve resposta até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto.
A apuração da PF indica que Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, integrante do grupo de Vorcaro, consultava e extraía dados em sistemas restritos de órgãos públicos. Esse método teria viabilizado a obtenção de informações até de instituições como o FBI e a Interpol.
Mourão também participava do esquema para receber dados pessoais de autoridades e jornalistas considerados desafetos de Vorcaro, de acordo com a PF.
A devassa em dados sigilosos foi uma das razões pelas quais o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça divergiu da Procuradoria-Geral da República e decretou a prisão de Vorcaro, além de determinar diligências contra outros investigados.
Segundo Mendonça, não acolher com urgência as medidas requeridas pela PF colocaria em risco a vida de pessoas que se tornaram vítimas dos crimes apontados na investigação, além de dificultar a recuperação de recursos desviados dos cofres públicos. “No caso específico destes autos, a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade.”
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