Aumento de patrimônio faz procurador pedir quebra de sigilo de Ricardo Salles

Pedido é do procurador Ricardo Dias Leme. Variação patrimonial do ministro do Meio Ambiente ocorreu entre 2012 e 2018

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

Política

O procurador de Justiça de São Paulo Ricardo Dias Leme apresentou, na terça-feira 8, parecer favorável à quebra de sigilo bancário e fiscal do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em inquérito civil que apura possível enriquecimento ilícito. O caso está sob análise do Tribunal de Justiça de São Paulo.

O pedido de quebra de sigilo é de autoria do promotor Ricardo Manuel Castro. O requerimento foi rejeitado em primeira instância no Ministério Público Estadual e agora está no TJ. A solicitação vai a julgamento no Tribunal em 14 de outubro, às 9h30. O colegiado que analisará o pleito é composto por três desembargadores: Antonio Celso Aguilar Cortez, Torres de Carvalho e Teresa Ramos Marques.

Em documento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o procurador levanta suspeitas sobre a variação de 604% no patrimônio de Salles entre 2012 e 2018. No texto, Dias Leme lembra que, em 2012, Salles declarou à Justiça Eleitoral o patrimônio de 1,45 milhão de reais; em 2018, declarou ao Superior Tribunal Eleitoral o patrimônio de 8,8 milhões.

“É no mínimo curioso que alguém que percebeu a média de 1.500 reais de rendimentos mensais da advocacia em 2013, antes de assumir o cargo de secretário particular do governador, que não possuía rendimentos superiores a cerca de 12.445 reais líquidos em agosto de 2014, possa ter tido uma variação patrimonial de 604% entre 2012 e meados de 2018, tendo passado 13 meses e meio (16/07/2016 a 30/08/2017) exercendo cargo público no qual percebia uma remuneração média de 18.413,42 reais e estava impedido de advogar”, escreve o procurador.

Dias Leme também acusa Salles de “ostentar” condenação por ato de improbidade administrativa, em primeira instância. Salles foi condenado em dezembro de 2018 por beneficiar empresas mineradoras e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em fraude na elaboração do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) Várzea do Tietê, em 2016, quando era secretário de Meio Ambiente do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo. Cabe recurso.

CartaCapital procurou a assessoria do Ministério do Meio Ambiente, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

 

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