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Atropelaram Temer

Política

A greve dos caminhoneiros prova a fraqueza do ilegítimo e do seu governo. Quanto à mídia nativa, ainda terá de demonstrar que houve locaute em lugar de uma parede clássica. De verdade, houve um e outra

Não tem maior importância que a manifestação dos caminhoneiros seja chamada de greve e que, em outro patamar, desperte a suspeita de contar com o apoio dos patrões. Deste lado, um típico caso de locaute à espera de provas.

No oitavo dia de duração da paralisação, aguarda-se  alguma prova de que, conforme os jornalistas e os crentes na mídia, há, ou havia, infiltração no movimento. Os homens de Temer saberiam explicar o que é e como é o locaute?

Já não há mais “professores” como Glycon de Paiva (1902-1993). Ele conspirou contra João Goulart e contra o presidente chileno Allende. Teve sucesso nas duas empreitadas. Paiva entrou na luta contra o governo de Allende e foi revelado pelo Washington Post na reportagem “The Brazilian Conection”, publicada em 1974.

Ele não fugiu do que fez.

Em entrevista à revista Veja, dada a este colunista então repórter, sobre a sua participação, reconheceu “ter recebido em seu escritório dois chilenos aos quais descreveu as minúcias”. “Vimos como ela funcionou no Brasil e agora novamente no Chile”, constatou.

Paiva falou dos princípios básicos de um locaute. Assustaria Temer. Disse ele: “Existe uma receita para isto. Basta misturar a massa, admitindo imediatamente que os ingredientes são muito caros, sendo necessário muito dinheiro”. (Mais informações sobre esse episódio podem ser encontradas no site “Diálogos do Sul”, de Paulo Cannabrava Filho.)         

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Temer não tem força para agir contra os caminhoneiros. É covarde demais. Só os cegos não percebem que o governo, entregue ao vice-presidente Michel Temer após ser arrancado das mãos da presidenta Dilma Rousseff, tornou-se o multiplicador do golpe em dois anos de administração.

Temer é o caos. Ele, com os assessores que comanda, foi atropelado.

Em certa rodovia, na qual não havia bloqueio, foi gravado o seguinte desabafo do tenente-coronel Caixeta, da Polícia Militar de Goiás, espalhado pelas redes sociais: “Temer mentiroso”, “Pinóquio”. O que sente um presidente da República quando ouve esse gênero de crítica?

Saia da GloboNews e sintonize a TV Senado. Perceba a mudança no clima político-ambiental da Casa. Eis um exemplo: “O Brasil está sem governo”, anunciou o senador Otto Alencar, do PSD da Bahia.

Tucanos como Cássio Cunha Lima, da Paraíba, participaram serenamente do fuzilamento do ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, em debate no Senado. Ao perguntar ao ministro se a reação administrativa de Temer se resumiria ao diesel – “O governo não cuidará do bujão de gás?” –, Guardia ficou sem resposta. 

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