Educação

Ato de Lucas Pavanato na USP gera confusão; um estudante precisou ser atendido

Vídeos mostram integrantes da equipe do vereador desferindo socos e empurrões contra um grupo de universitários

Ato de Lucas Pavanato na USP gera confusão; um estudante precisou ser atendido
Ato de Lucas Pavanato na USP gera confusão; um estudante precisou ser atendido
O vereador Lucas Pavanato (PL-SP). Foto: Lucas Bassi/Câmara Municipal de São Paulo
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Uma visita do vereador bolsonarista Lucas Pavanato (PL-SP) à Universidade de São Paulo (USP), na tarde desta quarta-feira 4, gerou confusão entre a equipe do parlamentar e universitários. Ao menos três estudantes teriam ficado feridos após serem agredidos por seguranças do vereador, segundo informações do Diretório Central dos Estudantes.

Pavanato instalou uma tenda, na Praça do Relógio, no Centro da Cidade Universitária, e expôs uma faixa com os dizeres: ‘Aborto é assassinato’. Ao redor da estrutura estavam posicionados equipamentos de filmagem, como câmeras e tripés.

Em conversa com a reportagem de CartaCapital, o estudante Charlon Fernandes, diretor do DCE, afirmou que, ao se instalar sob a tenda, o vereador e sua equipe começaram a provocar os estudantes para um suposto debate acerca do tema, com o intuito de criminalizar a pauta do aborto legal, permitido em casos específicos pela Constituição, como a gravidez decorrente de estupro, risco de vida para a gestante e anencefalia fetal.

Foto: Reprodução

Diante as provocativas, o estudante narrou que os universitários tentaram neutralizar as provocações, utilizando de estratégias já pactuadas entre eles via um protocolo de ação diante a investida de integrantes da extrema-direita junto às universidades.

“Fazem parte das nossas ações ignorar essas investidas, não dar palco e nem participar desse suposto debate, que sabemos que, no fim, serve para criar conteúdo para as redes sociais, canais onde eles mantém uma base eleitoral ativa, e acabam  espalhando narrativas de que as universidades são violentas e não abertas ao debate”, avaliou.

Segundo o estudante, universitários foram se aproximando da tenda com caixas de som ligadas com músicas que demandam licenças de direitos autorais para serem veiculadas nas redes, outra estratégia para inviabilizar a publicização dos conteúdos pelo parlamentar bolsonarista. Nesse momento, teria começado a confusão.

Vídeos enviados à reportagem mostram integrantes da equipe do vereador desferindo socos e empurrões contra um grupo de universitários, que entoam o coro: ‘Recua fascista, recua’. Em outro momento, é possível ver um líquido sendo borrifado na direção dos universitários que, segundo eles, seria spray de pimenta.

O parlamentar publicou um vídeo em suas redes sociais após o episódio, acompanhado da legenda: “Não é a Cracolândia, é a USP”.

Procurada, a USP confirmou que um estudante chegou a ser atendido no Hospital Universitário, sendo liberado posteriormente. Sobre o episódio, a instituição manifestou, em nota, “ser a universidade o espaço correto para que se dê voz a diferentes opiniões, ao direito da sua expressão, resguardados, obviamente, os princípios da democracia, respeitosa, mútua entre as diferentes vozes que possam ter visões de mundo diferentes”.

“A USP repudia qualquer tipo de violência que imponha restrições ao exercício desta liberdade de opinião dentro dos limites da convivência republicana”, completou.

Esta não é a primeira investida do vereador contra a Universidade de São Paulo. No ano passado, Pavanato foi condenado a pagar uma indenização a uma estudante universitária que foi exposta em um vídeo veiculado em suas redes sociais que tinha o intuito de constranger pessoas identificadas como ‘de esquerda’. Em 2023, o influenciador também se envolveu em um episódio em que um integrante da GCM sacou uma arma dentro da universidade.

O que diz Lucas Pavanato

Procurado para comentar o caso, o mandato de Lucas Pavanato disse, em nota, que se dirigiu à universidade para gravar um vídeo nos moldes do Turning Point USA do Charlie Kirk. O ativista conservador aliado de Trump, morto em um atentado em 2025, criou a organização na tentativa de atrair estudantes ao conservadorismo.

O parlamentar disse que a tentativa de gravar o vídeo foi inviabilizada por agressões cometidas pelos estudantes. Disse, ainda, ter sido atingido por uma garrafa, e afirmou que a vereadora da Praia Grande, Eduarda Campopiano (PL) teria sido agredida por um estudante. Nas redes sociais da parlamentar, consta registros da vereadora em frente ao 51º DP do Butantã, onde ela teria registrado a ocorrência. A equipe de Pavanato ainda afirmou ter tido equipamentos destruídos e furtados pelos estudantes.

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