Política

As testemunhas do delator Mauro Cid para tentar se salvar da ação do golpe

A defesa apresenta o tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, como ‘um simples porta-voz’

As testemunhas do delator Mauro Cid para tentar se salvar da ação do golpe
As testemunhas do delator Mauro Cid para tentar se salvar da ação do golpe
Mauro Cid durante depoimento à CPI do golpe, em 2023 – Foto: Lula Marques/Agência Brasil
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O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), listou nove testemunhas em sua defesa prévia na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022.

No documento, encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes na terça-feira 22, a defesa apresenta Cid — que fez uma delação premiada — como “um simples porta-voz”. As funções do militar, alegam os advogados, estavam limitadas “ao estrito cumprimento de seu dever funcional”.

Confira a relação de testemunhas de Cid:

  • general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército;
  • general Júlio César de Arruda, ex-comandante do Exército;
  • general de Divisão Flávio Alvarenga Filho;
  • general de Divisão João Batista Bezerra Leonel Filho;
  • general de Divisão Edson Diehl Ripoli;
  • coronel Fernando Linhares Dreux;
  • capitão Raphael Maciel Monteiro;
  • capitão Adriano Alves Teperino; e
  • sargento Luís Marcos Dos Reis.

A Procuradoria-Geral da República sustenta que Cid integra o “núcleo crucial” da trama golpista, do qual também fazem parte:

  • Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente;
  • Alexandre Ramagem (PL-RJ), deputado federal;
  • Almir Garnier Santos, almirante e ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa; e
  • Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Casa Civil.

Após os réus apresentarem suas defesas prévias, começará a instrução criminal, com depoimentos de testemunhas da defesa e da acusação, produção de provas documentais e periciais e eventual realização de diligências para preencher alguma lacuna.

Ao fim da instrução, Moraes elaborará — sem prazo definido — um relatório, uma espécie de resumo do caso até aquele momento. Também preparará o seu voto, no qual defenderá a condenação ou a absolvição dos réus.

Caberá ao relator, ainda, liberar o caso para julgamento. Na sequência, o presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, agendará a data da votação.

A sessão de julgamento começará com a leitura do relatório de Moraes, seguida pela sustentação oral da acusação e da defesa — cada parte terá uma hora para se pronunciar. Quando há mais de um réu em julgamento, o presidente do colegiado pode ampliar o prazo concedido à acusação.

Depois de todas as manifestações, Moraes lerá o seu voto. A seguir, votarão, nesta ordem, os ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Em caso de condenação, os ministros também terão de fixar a dosimetria das penas — ou seja, por quanto tempo os réus ficarão presos. Os crimes atribuídos a Bolsonaro pela PGR, por exemplo, totalizam 43 anos de prisão, mas no Brasil o tempo máximo de cumprimento efetivo da pena é de 40 anos.

O ex-presidente responderá pelas práticas de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado, dterioração de patrimônio e organização criminosa armada.

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