Política

As alternativas do governo Lula para o PL Antifacção, segundo Lewandowski

O ministro reconheceu a dificuldade de alterar itens no projeto do relator e disse que o governo é minoritário tanto na Câmara quanto no Senado

As alternativas do governo Lula para o PL Antifacção, segundo Lewandowski
As alternativas do governo Lula para o PL Antifacção, segundo Lewandowski
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, confirmou que o governo Lula (PT) está elaborando estratégias para enfrentar os pontos do Projeto de Lei Antifacção, relatado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que fogem à proposta original do Executivo.

Lewandowski reconheceu a dificuldade e disse que o governo é minoritário tanto na Câmara quanto no Senado. “As perspectivas de nós emplacarmos um projeto alternativo são muito pequenas”, disse. O ministro afirmou que o governo tem duas opções: “ou repudiar o projeto como um todo, ou discutir ponto a ponto eventuais emendas que vamos fazer”, disse em entrevista ao portal JOTA

O chefe da pasta ainda fez duras críticas à tentativa de Derrite de modificar a lei antiterrorismo, classificando essa manobra como um “crime de lesa pátria”. Segundo ele, isso “escancararia as portas do Brasil para uma eventual intervenção estrangeira” e traria riscos econômicos altíssimos.

Qual empresa estrangeira ou até mesmo governo estrangeiro vai investir em um País que, reconhecidamente por lei, tem organizações terroristas?“, questionou o ministro, alertando para o aumento do risco ao Brasil e possíveis represálias de organismos internacionais.

Para o ministro, a proposta de Derrite demonstra “falta de técnica” e se limita, em grande parte, a “aumentar penas”, tornando o projeto “frágil”. Ele defendeu o PL Antifacção do governo como um “projeto muito bem pensado”.

O relator já apresentou quatro versões do texto após receber críticas. A principal controvérsia foi a tentativa de retirar da Polícia Federal a responsabilidade principal pelas investigações de crime organizado. Na segunda versão, o texto previa que caberia aos governadores decidir sobre o apoio da organização.

Além disso, a destinação de recursos confiscados do crime para fundos estaduais não foi vista com bons olhos. Segundo o governo, isso “debilitaria financeiramente a PF” e as forças de segurança da União. Apesar da resistência do governo, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que o PL Antifacção está previsto para ser votado nesta terça-feira 18.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo