…

As alianças que Haddad não conseguiu até agora

Política

A semana de Fernando Haddad (PT) se resumiu em tentar construir alianças para o enfrentamento com Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno da eleição presidencial. Nesse tempo, o petista conseguiu o apoio de quatro partidos: PSOL, PSB, PPL e PDT, ainda que este último tenha declarado se tratar de um “apoio crítico”.

A maioria das outras legendas que se manifestaram optaram pela neutralidade e/ou liberar seus militantes para votarem como quiserem – o que prejudica bem mais o ex-prefeito de São Paulo que o deputado federal. Falta ao petista apoios de figuras-chaves do campo político, como Ciro Gomes (PDT), Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Marina Silva (Rede).

Para a missão, o PT escalou Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e senador eleito. Dentro da legenda, ele é visto como a figura com melhor articulação depois do ex-presidente Lula. Até agora, porém, nenhum dos nomes foi convencido de fazer acenos a Haddad.

Leia também:
Os 50 tons de Jair Bolsonaro no segundo turno
As estratégias de Haddad para o segundo turno

Ciro viaja nesta quinta-feira 11 para a Europa e só deve voltar ao Brasil a 10 dias da eleição de segundo turno, segundo informou o site d’O Globo.

Para Claudio Couto, cientista política da FGV, o silêncio do pedetista pode ser uma atitude estratégica, pensando no pleito de 2022. Há petistas, porém, que têm esperanças de algum sinal positivo do ex-presidenciável nos 45 do segundo tempo.

“Talvez ele esteja se guardando para uma futura disputa presidencial e não aparecer revinculado a candidatura do Haddad neste momento é uma maneira de ele se desvincular do PT”, afirmou. Outra hipótese, segundo o cientista político, é o pedetista considerar que se trata de uma segundo turno já perdido para Hadadd. “Se ele achar isso faria menos sentido ainda pagar o preço de estar apoiando o PT nesse momento.”

Outro elemento que pode ter sido determinante para o silêncio de Ciro é a forma como o PT se comportou durante as eleições em relação à campanha do pedetista. Na coletiva de quarta-feira 10, Lupi demonstrou mágoa e lembrou os golpes que o PT desferiu contra a sigla durante o primeiro turno e pressões para retiradas de candidaturas. Entre as ofensivas contra o pedetista, está a articulação dos petistas para que Ciro não conseguisse o apoio do PSB.

Apoio simbólico

Se o apoio de Ciro poderia influenciar consideravelmente o eleitorado – ele obteve 13,3 milhões de voto -, o apoio simbólico de Fernando Henrique Cardoso poderia contribuir para a construção de uma aliança suprapartidaria pela democracia.

“[O apoio do FHC] é simbolicamente muito forte, mas que de outros partidos. Pela posição de antagonismo entre PT e PSDB, pela relação de oposição que o PT teve no governo Fernando Henrique, porque ele é percebido como uma pessoa moderada. Seria talvez o apoio simbolicamente mais importante que ele deveria ter. Até pela distância no tempo em que FHC participou das disputas eleitorais. Ele tem um ar de grande conselheiro da nação, algo do tipo”, afirma.

Ontem, em coletiva à imprensa, Haddad afirmou não ter ligado ainda para o ex-presidente. “Presumo que talvez o Fernando Henrique esteja aguardando um gesto mais claro do Fernando Haddad, porque do próprio PT não vai esperar muito, mas do Haddad para efetivamente se posicionar.” 

Rede

Ainda com um desempenho pífio da Rede na eleição presidencial, Couto critica a postura de sua representante, Marina Silva, ao anunciar a neutralidade da sigla frente uma eleições polarizada. “[Ela] até disse que não é para votar no Bolsonaro, fala que pode ser nulo, branco, abstenção ou no Haddad. Ma o que está em jogo no País nesse momento? Um posicionamento mais corajoso contribuiria para que a Rede não tivesse sido o fiasco que foi.”

Para o cientista político, tanto o resultado da Marina da disputa eleitoral como a posição “em cima do muro” está baseada no ressentimento dela com o PT, sobretudo, nas eleições de 2014 quando Dilma Rousseff a atacou de maneira desleal. Ainda que a mágoa seja justificada, Couto diz que eleição não é o momento de destilar ressentimento.

“Ressentimento é um péssimo guia para a ação política. E coincidentemente isso se voltou contra ela. Ela conseguiu ter menos que o candidato do Temer e menos que o cabo Daciolo, que é um meme. Acho que ela deveria pensar nisso, assim como a própria Rede.”

Junte-se ao grupo de CartaCapital no Telegram

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site CartaCapital.com.br

Compartilhar postagem