Política

Aras vai ao STF para validar acordo em que Onyx admite caixa dois de 300 mil reais

Em troca do arquivamento de investigação, ministro confessou ter recebido quantia da J&F e se prontificou a pagar multa

Aras vai ao STF para validar acordo em que Onyx admite caixa dois de 300 mil reais
Aras vai ao STF para validar acordo em que Onyx admite caixa dois de 300 mil reais
ONYX LORENZONI. FOTO: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
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O procurador-geral da República, Augusto Aras, recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir à Corte que avalie o acordo fechado entre a PGR e o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni. Em troca do arquivamento de uma investigação, Lorenzoni confessou à Procuradoria ter recebido caixa dois de 300 mil reais da J&F, controladora da JBS, em 2012 e 2014 e se prontificou a pagar multa de 189,1 mil reais.

O acordo de não-persecução penal foi o primeiro do tipo a ser fechado pela PGR no âmbito do ‘pacote anticrime’. Os termos, porém, não foram homologados devido a um recurso de Onyx sobre o juízo competente para investigá-lo.

No mês passado, a Primeira Turma decidiu por remeter os autos do inquérito contra Onyx para a Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul. Por causa da decisão, o ministro Marco Aurélio Mello não validou o acordo – o relator entendeu que caberia ao juízo eleitoral de primeira instância validá-lo.

No entendimento de Aras, porém, como a decisão da Primeira Turma ainda cabe recurso, Marco Aurélio também poderia reavaliar o acordo fechado com Onyx até o trânsito em julgado do caso – quando não cabem mais recursos.

“Até que a decisão se torne imutável, compete ao próprio STF apreciar demais fatos posteriores que interfiram no deslinde da controvérsia, sejam estes a ocorrência de causas de extinção da punibilidade ou a adoção de medidas processuais de urgência”, apontou o PGR.

O acordo firmado pela PGR com Onyx prevê que, em troca da confissão do ministro e do pagamento de multa, as investigações contra ele seriam arquivadas. O deputado admitiu ter recebido 300 mil reais em doações não contabilizadas do grupo que controla a empresa JBS, sendo 100 mil  reais nas eleições de 2012 e 200 mil reais em 2014. O caixa 2 foi revelado por delatores da empresa.

Logo após a delação da JBS sair, em maio de 2017, Onyx admitiu ter recebido apenas um dos dois pagamentos, o de 100 mil reais, e negou o outro, admitindo somente no acordo firmado com a PGR.

O ministro se comprometeu a pagar 189,1 mil reais de multa estipulados pela Procuradoria para garantir o encerramento da investigação.

Para calcular o valor da multa, a PGR analisou fatores como a gravidade da conduta (que foi considerada máxima), a motivação da infração, as consequências do delito e o itinerário do crime. A partir daí, baseou-se na legislação que prevê para infratores prestação pecuniária de no mínimo 1 salário mínimo (1.045,00 reais) e no máximo 360 salários mínimos  (376.200,00 reais). Ao final, foi acordado o pagamento do valor correspondente à metade do máximo, mais um salário mínimo: 189.145,00 mil reais. Essa base de cálculo deve ser usada em eventuais novas negociações.

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