Política

Aras diz que PGR vai apurar reunião entre Flávio, Heleno e Ramagem sobre ‘rachadinha’

Manifestação de Aras é consequência de notícia-crime apresentada pela deputada Natália Bonavides (PT-RN)

Fotos: Roberto Jayme/TSE - Jefferson Rudy/Agência Senado
Fotos: Roberto Jayme/TSE - Jefferson Rudy/Agência Senado

O procurador-geral da República, Augusto Aras, mandou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma manifestação em que informa a instauração de uma notícia-crime para apurar, em caráter preliminar, a reunião entre o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e o diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, com a defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), investigado pela suposta ‘rachadinha de salários’ em seus tempos de deputado estadual no Rio de Janeiro.

“Caso, eventualmente, surjam indícios razoáveis de possível(is) prática(s) delitiva(s) por parte dos noticiados, será requerida a instauração de inquérito nesse Supremo Tribunal Federal”, argumentou Aras.

A manifestação do chefe da PGR se deu após um pedido do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, a partir de uma notícia-crime apresentada pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN). “A Deputada Federal noticiante argumenta que o fato relatado representa verdadeira subversão das instituições governamentais e desrespeito ao princípio da impessoalidade, podendo ainda constituir advocacia administrativa ou tráfico de influência, caso a produção de prova solicitada pelas advogadas do Senador tenha sido efetivamente realizada”, diz ainda o texto enviado por Aras ao STF.

A PGR, diante da abertura de apuração preliminar, pediu ao STF a extinção da notícia-crime apresentada pela parlamentar do PT. “Em face do exposto, o PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA manifesta-se pela extinção do pleito, face à perda de seu objeto, arquivando-se os autos”, escreveu Aras.

A reunião que motivou a ida de Natália Bonavides ao Supremo foi revelada pela revista Época. O encontro, realizado fora de agenda oficial, teria acontecido em agosto no Palácio do Planalto e contado ainda com as presenças do presidente Jair Bolsonaro e das advogadas Luciana Pires e Juliana Bierrenbach, que defendem Flávio Bolsonaro.

“A família Bolsonaro está se sentindo bastante à vontade para usar a estrutura pública em benefício próprio. O PGR reconheceu que nossa denúncia tem indícios robustos de prática de crime, e os próprios envolvidos já admitiram que se reuniram para tratar do processo. Esperamos agora a imediata investigação e responsabilização dos envolvidos”, disse Natália Bonavides em contato com a reportagem de CartaCapital.

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