Após recorde de desmatamento, Guedes diz que “é difícil vigiar tudo”

Pressão de investidores para que governo opere na Amazônia fez com que ministro da Economia pedisse 'ajuda e compreensão'

O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

O ministro da Economia, Paulo Guedes. Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Política

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o governo brasileiro, apesar dos recordes recentes referentes ao desmatamento da Amazônia, “não aceitaria” o desmatamento ilegal e pediu “ajuda e compreensão” de outros países para encarar a situação.

A fala foi feita em uma reunião organizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que visava também debater estratégias para enfrentar a pandemia no cenário de informalidade. Em sua fala no painel de abertura da reunião regional, Guedes chamou os estados que mantiveram quarentenas de “estados mais cuidadosos”, onde a “doença não avançou tão rapidamente”.

No entanto, o ministro mencionou a demora para superar a crise como resultado do tamanho do país e do sistema federativo. “No Brasil, é impossível dizer quanto tempo vai durar [a pandemia] porque é um país muito grande e o processo de decisão descentralizada”, afirmou.

O Brasil é o país mais afetado pela pandemia da América Latina e segundo no mundo, com 72.100 mortes e mais de 1,8 milhão de contaminados, entre eles o presidente.

De olho no acordo de comércio livre entre o Mercosul e a União Europeia, que está sob risco devido ao aumento do desmatamento no país, Guedes dedicou quase dez minutos, de uma apresentação de 25, a falar sobre a Amazônia, a preservação do meio ambiente e as populações indígenas.

 

“Sabemos que preservamos melhor nossas florestas e que tratamos nossos povos indígenas melhor que outros países, onde houve guerras de extermínio”, disse.

“Se há excesso e se há erros, corrigiremos. Não aceitaremos o desmatamento ilegal, a exploração ilegal de recursos. O Brasil é um país continental. A Amazônia é maior do que a Europa. É difícil vigiar tudo. O país ainda tem carências em educação, saneamento. Como é que nós conseguimos policiar todas as nossas fronteiras sem ajuda? Queremos ajuda e compreensão.”, disse.

O ministro afirmou que o país não tem capacidade para fazer o monitoramento da Amazônia e de seu território continental sozinho e disse que o Brasil precisa de ajuda.

Nesta segunda-feira, uma servidora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) foi exonerada de seu cargo técnico no setor de monitoramento dos dados referentes à Amazônia.

O país teve recorde de alertas de desmatamento no mês de junho. O Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), usado pelo Inpe, apontou uma área de 1.034 km² sob risco. O valor é 10% maior do que o registrado no mesmo mês do ano passado e 24% maior do que em maio, que já havia sido um recorde para o período.

Discurso dissonante

Participando do painel de abertura da reunião ao lado dos representantes da República Dominicana, Costa Rica, Colômbia, Peru e da OCDE, a fala do ministro da Economia destoou do discurso geral.

Os países vizinhos salientaram a preocupação com o aumento da regionalização da economia e a necessidade de aumento de recursos (e de impostos diretos) para que os governos possam manter e ampliar direitos sociais para os grupos mais vulneráveis.

O secretário geral da OCDE, Ángel Gurría, chegou a defender reformas tributárias que ampliem impostos sobre renda de pessoas físicas.

Já Guedes falou sobre o auxílio emergencial e o plano de ampliar a base de assistência social, com o Renda Brasil, mas defendeu a redução de impostos, defendeu o avanços do que chamou de reformas “estruturantes” e indicou a aposta brasileira na ampliação de sua atuação global.

*Com informações da RFI

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Compartilhar postagem