Após morte de Ágatha, Eduardo Bolsonaro posta criança com arma

Em meio a protestos pela morte da criança atingida por um tiro de fuzil, o deputado federal enalteceu 'brincadeira' de polícia e ladrão

Após morte de Ágatha, Eduardo Bolsonaro posta criança com arma

Política

No dia em que as redes sociais se voltaram para lamentar a morte da garota Àgatha Vitória Sales Félix, morta na madrugada do sábado, 21, por um tiro de fuzil nas costas na Fazendinha, Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, um post do deputado federal Eduardo Bolsonaro chamou a atenção.

O 03 da família Bolsonaro republicou um vídeo do Tenente Santini, no qual aparece ao lado de seu filho, orientando o menino, que tem uma arma de brinquedo nas mãos, a como inspecionar ambientes, em uma brincadeira de polícia e ladrão. No post original, o tenente escreve: “Eu brinquei de polícia e ladrão e não virei bandido. O exemplo arrasta!”.

Ao endossar o vídeo, Eduardo Bolsonaro escreveu: “quando criança também brinquei de polícia e ladrão e não virei bandido. Como diz o Padre Paulo Ricardo temos que ensinar nossos filhos a serem guerreiros do bem”.

A publicação foi feita no sábado 21, às 9h25 da manhã, período em que as redes sociais, sobretudo o Twitter e Facebook, se inundavam de publicações em protesto à morte da criança, atingida ao que tudo indica durante uma operação policial no Complexo do Alemão. No twitter, a hashtag #aculpaedowitzel ficou entre os assuntos mais comentados no País. O deputado federal, no entanto, não comentou o caso.

O mesmo silêncio foi e ainda é visto nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro e do governador Wilson Witzel que regularmente utiliza seus canais para enaltecer ações da Polícia do Rio de Janeiro. Nenhum dos dois sen pronunciou sobre a morte da garota Ágatha.

Há cerca de um mês, o governador foi criticado após o desfecho do sequestro de um ônibus na Ponte Rio-Niterói por um jovem que, aparentemente, sofria de transtornos psicológicos – Willian Augusto da Silva, 20, foi morto por um atirador de elite da Polícia Militar. Witzel desembarcou de um helicóptero que pousou sobre a ponte em claro sinal de comemoração. À época, disse que comemorava a vida, fazendo menção aos reféns. O caso foi comentado mais de uma vez em suas redes sociais.

Em abril deste ano, uma operação do Exército terminou com o fuzilamento do músico Evaldo dos Santos Pereira, atingido por 80 tiros no carro em que dirigia juntamente com seus familiares. A família seguia para um chá de bebê. Os militares teriam confundido o carro de Pereira com o de assaltantes.

 

À época, Jair Bolsonaro permaneceu em silêncio por seis dias e depois declarou: “O Exército não matou ninguém, houve um incidente” (veja no vídeo). O governador Witzel também preferiu o silêncio. Já Eduardo Bolsonaro em entrevista cedida ao portal GaúchaZH, dias após o ocorrido, desconversou quando o repórter questionou o silêncio do governo e se não seria necessária uma manifestação de solidariedade à família do músico assassinado: “Não acompanhei. Não teve?”, respondeu.

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Repórter do site CartaEducação

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