Política

Após lista de Fachin, boatos de “acordão” voltam a circular

Em nome de Lula, Temer e FHC, articuladores estariam avaliando formas de blindar a classe política da ação da Lava Jato e garantir presença forte dos grandes partidos em 2018

Líderes se unem para frear ação da Lava Jato
Líderes se unem para frear ação da Lava Jato

Os boatos de um “acordão” para blindar a classe política, especialmente os maiores partido do País – PSDB, PT e PMDB – voltaram a circular por Brasília depois da divulgação da Lista de Fachin. Entre os 108 alvos dos 83 inquéritos estão nove ministros do governo, 29 senadores e 42 deputados federais de 14 partidos diferentes. Aécio Neves e Romero Jucá são os campeões em número de inquéritos.   

A ideia de acordão não é nova. Como afirma reportagem da Folha de S.Paulo da quinta-feira 13, ainda em 2016, quando a Lava Jato mostrou ter potencial para atingir diversos setores políticos e econômicos, emissários começaram a costurar um acordo entre Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (PMDB) para que os três liderassem um grande pacto para impedir que a classe política se fragilizasse ainda mais com o avanço das investigações.

FHC, Temer e Lula se falaram pessoalmente em fevereiro durante a internação de Marisa Letícia. As conversas foram rápidas e reservadas. A partir de então, emissários se movimentaram com mais frequência. Aliados dos três líderes passaram a se reunir em apartamentos e restaurantes da capital federal para encontrar formas de limitar a ação da Lava Jato.

Ainda segundo o jornal, o bom trânsito com os dois ex-presidentes e com Temer credenciou o ex-ministro do STF Nelson Jobim e o atual ministro da corte Gilmar Mendes como dois dos principais emissários nessas conversas. Jobim já teria almoçado com Temer e FHC e deve se encontrar com Lula nos próximos dias. Gilmar, por sua vez, hoje é próximo ao presidente, que participa de negociações para articular um acordo para a reforma política.

A avaliação das três partes envolvidas é de que a Lava Jato quer eliminar a classe política e abrir espaço para um novo projeto de poder, capitaneado, por exemplo, por aqueles que comandam a investigação. A convergência entre os três é: se não houver entendimento para assegurar um processo eleitoral “tranquilo” em 2018, aparecerá um “outsider” ou “aventureiro”.

As investigações de doações para campanhas atingem da mesma forma Temer, Lula e FHC, citados nas delações da Odebrecht por recebimento de dinheiro de forma indevida. As acusações contra Lula e FHC foram encaminhadas para instâncias inferiores, pois ambos não têm foro privilegiado. Temer, por sua vez, apesar de citado em dois inquéritos, não é investigado por sua “imunidade temporária” como presidente.

Lula-temer.jpg Ideia é manter Temer até eleição de 2018 e ter Lula na disputa. (Instituto Lula/Ricardo Stucker)

Ação no Legislativo

O Congresso seria o principal campo de atuação para colocar em prática a blindagem pretendida pelo grupo. As três frentes das negociações avaliam ser possível aprovar em tempo, ainda para 2018, a cláusula de barreira para partidos e o fim das coligações proporcionais, o que fortaleceria os grandes e tradicionais partidos.

Projetos como a anistia ao Caixa 2, um novo modelo para o financiamento de campanha eleitoral e até o relaxamento de prisões preventivas, que mantêm encarcerados potenciais delatores para a força-tarefa, também entrariam na lista de medidas.

Dentro do PT

Após a divulgação da lista de Fachin, a cúpula do PT vai reforçar o monitoramento de aliados que estão presos – e são potenciais delatores – como Antonio Palocci e Vaccari Neto. Segundo Andréia Sadi, em seu blog no portal G1, o partido teme que, com o avanço das investigações da Lava Jato, o ex-ministro e o ex-tesoureiro fechem uma delação premiada.

Vaccari e Palocci estão presos e, por conhecerem bem o funcionamento interno do partido, poderiam confirmar os relatos dos delatores da Odebrecht. Petistas querem convencê-los a não colaborar. O argumento é justamente o trabalho que os partidos da base e da oposição fazem no Congresso para aprovar um “acordão” que descriminalize o Caixa 2. Petistas argumentam também que a decisão sobre prisão em segunda instância pode ser rediscutida pelo STF.

 O discurso dos dirigentes partidários é que Vaccari “foi um operador de caixa dois” e tentam convencer o ex-tesoureiro de que ele pode ser beneficiado se a tipificação do Caixa 2 for aprovada.“Não é que ele vai ser absolvido. Mas pode resolver uma parte, a pena pode diminuir bastante se houver um desfecho e passar esse acordo suprapartidário que está sendo construído”, afirma um líder petista ao blog de Sadi.

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