Política
Após intimação a Bolsonaro, CFM diz que acesso a UTIs tem de ser restrito
Sem mencionar o ex-capitão, o órgão afirma que conselhos regionais devem apurar ‘o desrespeito a protocolos técnico-científicos’
O Conselho Federal de Medicina emitiu uma nota, nesta sexta-feira 25, na qual afirma que o acesso a unidades de terapia intensiva é restrito e deve obedecer a uma série de requisitos, inclusive para jornalistas e agentes públicos no cumprimento de ordens judiciais.
A manifestação surge dois dias depois de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ser intimado por uma oficiala de justiça na UTI do Hospital DF Star, em Brasília. Ele foi notificado da abertura da ação penal no Supremo Tribunal Federal sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022.
Sem mencionar Bolsonaro, o CFM afirma que conselhos regionais de Medicina devem apurar “o desrespeito a protocolos técnico-científicos de acesso à UTI”, devido ao “risco que representa à saúde e à vida dos pacientes”.
Entre os critérios obrigatórios para ingressar nessas unidades, diz o órgão, estão autorização prévia da equipe médica, agendamento de visita, limitação do número de pessoas por leito, observância de protocolos de segurança sanitária e uso de equipamentos de proteção individual.
Bolsonaro segue internado no DF Star, onde passou por uma cirurgia em 13 de abril para tratar uma obstrução no intestino. Apesar de alegar incômodo com o fato de a oficiala ter ido à UTI, ele participou de uma transmissão ao vivo nas redes sociais na terça-feira 22, na companhia virtual do ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet e dos filhos Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro.
O STF informou que aguardava uma “data adequada” para o ex-presidente receber a intimação, mas avaliou que o fato de ele ter participado da live direto da UTI demonstrou a possibilidade de ser citado na última quarta.
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