PolĂtica
Anielle pede urgĂȘncia na implementação de regras para cĂąmeras corporais na PM de SP
As falas da ministra sĂŁo em meio a uma onda de casos de violĂȘncia policial no estado.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, pediu que o governo de TarcĂsio de Freitas (Republicanos) implemente com urgĂȘncia as novas diretrizes previstas pelo MinistĂ©rio da Justiça para o uso de cĂąmeras corporais na PolĂcia Militar de SĂŁo Paulo.
âQuantas vidas poderiam ter sido poupadas se as cĂąmeras jĂĄ estivessem sendo usadas? Estamos enviando hoje um ofĂcio Ă Secretaria de Segurança PĂșblica, ao MP e a Defensoria do Estado de SĂŁo Paulo solicitando a urgĂȘncia da implementação dessa polĂticaâ, disse na ministra nesta sexta-feira 6.
As falas da ministra sĂŁo em meio a uma onda de casos de violĂȘncia policial no estado. EpisĂłdios como o do homem arremessado de uma ponte por um policial militar e os tiros nas costas disparados por um PM de folga contra um suspeito de roubar produtos de limpeza, geraram uma crise que o governador tenta contornar.
Nas suas redes sociais, Anielle ainda lembrou que a população negra Ă© a mais afetada pela violĂȘncia policial. â80% das mortes violentas por policiais sĂŁo de homens negros. Sem vida nĂŁo hĂĄ a garantia de nenhum direito maisâ, disse.
No fim de maio, o MinistĂ©rio da Justiça publicou diretrizes sobre a utilização das cĂąmeras. O texto deixa a escolha a cargo das secretarias estaduais de Segurança, mas recomenda que a adesĂŁo seja âpreferencialmenteâ pelo modelo de acionamento automĂĄtico.
TambĂ©m prevĂȘ 16 situaçÔes em que os equipamentos precisam obrigatoriamente estar ligados. SĂŁo elas:
- no atendimento de ocorrĂȘncias;
- nas atividades que demandem atuação ostensiva, seja ordinåria, extraordinåria ou especializada;
- na identificação e na checagem de bens;
- durante buscas pessoais, veiculares ou domiciliares;
- ao longo de açÔes operacionais, inclusive aquelas que envolvam manifestaçÔes, controle de distĂșrbios civis,
- interdiçÔes ou reintegraçÔes de posse;
- no cumprimento de determinaçÔes de autoridades policiais ou judiciårias e de mandados judiciais;
- nas perĂcias externas;
- nas atividades de fiscalização e vistoria técnica;
- nas açÔes de busca, salvamento e resgate;
- nas escoltas de custodiados;
- em todas as interaçÔes entre policiais e custodiados, dentro ou fora do ambiente prisional;
- durante as rotinas carcerĂĄrias, inclusive no atendimento a visitantes e advogados;
- nas intervençÔes e na resolução de crises, motins e rebeliÔes no sistema prisional;
nas situaçÔes de oposição Ă atuação policial, de potencial confronto ou de uso de força fĂsica; - nos sinistros de trĂąnsito; e
- no patrulhamento preventivo e ostensivo ou na execução de diligĂȘncias de rotina em que ocorram ou possam ocorrer prisĂ”es, atos de violĂȘncia, lesĂ”es corporais ou mortes.
Embora os estados nĂŁo sejam obrigados a aderir Ă s diretrizes, aqueles que as seguirem receberĂŁo recursos federais como forma de incentivo.
A portaria prevĂȘ que o repasse de verbas do Fundo Nacional de Segurança PĂșblica e do Fundo PenitenciĂĄrio Nacional para a implementação ou a ampliação de projetos de cĂąmeras corporais âestĂĄ condicionado Ă observĂąncia das diretrizes estabelecidasâ.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. NĂłs nĂŁo. O compromisso de CartaCapital com os princĂpios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate Ă desigualdade nos importa. A denĂșncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego Ă verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, hå mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo tambĂ©m importa para vocĂȘ, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
‘Ainda tem muita luta pela frente’, diz Anielle sobre o 20 de Novembro
Por AgĂȘncia Brasil
Anielle acompanha, no Rio, 1Âș dia de julgamento dos acusados pela morte de Marielle Franco
Por CartaCapital
‘NinguĂ©m se sente Ă vontade pra relatar uma violĂȘncia’, diz Anielle sobre denĂșncias de assĂ©dio
Por CartaCapital



