Política
Anatel atesta que Vorcaro contatou número do STF, diz presidente da CPMI do INSS
O senador Carlos Viana (Podemos-PG) enviou um ofício à Corte em busca de informações sobre o titular da linha
O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quinta-feira 19 que um relatório enviado pela Anatel confirma a existência de um número funcional do Supremo Tribunal Federal entre os dados obtidos com a quebra dos sigilos do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Viana encaminhou um ofício à diretoria-geral do STF no qual solicita, em 48 horas, informações sobre qual integrante da Corte era o titular da linha telefônica quando ocorreu o contato com Vorcaro. “A medida busca garantir celeridade, precisão técnica e a correta identificação do responsável pela linha telefônica, preservando o rigor institucional que orienta os trabalhos desta Comissão.”
Na sessão da comissão nesta quinta, Viana evitou dizer se o número seria atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. Uma reportagem do jornal O Globo publicada há duas semanas apontou que o ministro teria trocado mensagens com Vorcaro horas antes de o banqueiro ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
Moraes nega veementemente ser o autor das mensagens atribuídas a ele. Ao Globo, o gabinete do magistrado afirmou que os diálogos mencionados na reportagem eram uma “ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o Supremo”.
Depois, a Secretaria de Comunicação do tribunal divulgou nota afirmando que uma análise técnica realizada nos dados de Vorcaro oferecidos à CPMI teria constatado que as mensagens de visualização única enviadas por ele em 17 de novembro não conferem com os contatos de Moraes nos arquivos apreendidos, estando ligados a pastas de outros contatos do banqueiro.
Pouco depois de o Supremo divulgar a nota, o jornal O Globo replicou, afirmando que a Polícia Federal teria periciado as mensagens e comprovado o envio a Moraes a partir de um software que exibe conjuntamente as mensagens e os arquivos enviados, o que viabilizaria reverter a visualização única. De acordo com o jornal, constariam do envio das mensagens o número e o nome do ministro.
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