Política

Alexandre Giordano, do caso Itaipu, esteve no Planalto em fevereiro

Empresário que teria falado em nome do clã Bolsonaro foi ao Palácio do Planalto um dia após presidente viajar a Foz do Iguaçu

O suplente de senador Alexandre Giordano ao lado de Major Olímpio
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Alexandre Giordano, empresário e suplente de senador pelo PSL paulista, esteve no Palácio do Planalto em 27 de fevereiro deste ano. Ele é um dos personagens do escândalo que ameaça de impeachment o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, devido a um acordo selado e desfeito este ano sobre a usina de Itaipu.

Giordano entrou no Planalto às 8h59. Na manhã do dia anterior, o presidente Jair Bolsonaro tinha viajado a Foz do Iguaçu, a cidade-sede da hidrelétrica. Lá, havia empossado o novo diretor-geral da usina, pelo lado brasileiro, o general Joaquim Silva e Luna. Benitez participou da cerimônia.

Giordano surgiu no escândalo que ameaça o presidente paraguaio como alguém que teria se apresentado, em reunião com autoridades paraguaias, como representante da família Bolsonaro. Essa reunião foi em 9 de maio, em Ciudad de Leste. Tratou da renegociação, em curso naquele momento, do acordo de Brasil e Paraguai sobre Itaipu. O empresário já confirmou ter participado.

A informação de que Giordano esteve no Planalto em 27 de fevereiro é do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o órgão responsável pelo controle de acesso nas dependências da Presidência da República. Foi dada ao deputado paulista Ivan Valente, líder do PSOL na Câmara, em resposta a um pedido feito com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

A agenda pública de Jair Bolsonaro não registra compromissos na manhã de 27 de fevereiro. Seu primeiro compromisso naquele dia foi às 16h45, uma audiência com o advogado-geral da União, André Luiz de Almeida. Em seguida, ele teve uma reunião do Conselho de Defesa Nacional, às 17h.

A reportagem pediu à Secretaria de Comunicação Social da Presidência, às 17h45 desta segunda-feira 26, informações sobre quem recebeu Giordano em 27 de fevereiro e qual foi o assunto tratado pelo empresário com seu interlocutor governamental. CartaCapital publicará a resposta quando a receber.

A reportagem consultou a agenda pública de todos os ministros com gabinete no Planalto. Não há registro de Giordano com nenhum deles em 27 de fevereiro. O compromisso mais próximo dos temas “Itaipu e energia” tido naquele dia por uma autoridade no Palácio foi do vice-presidente. Às 11h, Hamilton Mourão teve a reunião “Eletrobras – Criação de Fundo de Previdência de Transição”.

“Empresa de fundo de quintal”

Funcionários da Eletrobras defendem uma CPI para investigar o que chamam de “empresa de fundo de quintal” nas negociações entre Brasil e Paraguai sobre Itaipu. Giordano seria lobista da Léros, a firma de “fundo de quintal”, o que ele nega. “É uma incógnita como a Léros surge nessa história. Pode ser laranja de alguém”, diz um funcionário da Eletrobras.

Na renegociação do acordo entre os dois países, havia uma versão preliminar que quebrava o monopólio da Eletrobras do Paraguai, a Ande, no comércio de energia de Itaipu no Brasil. Sem o monopólio, empresas como a Léros poderiam entrar no negócio. Esse dispositivo ficou de fora do acordo final, selado em 24 de maio.

O entendimento foi desfeito depois de vir a público, em julho. Políticos e a mídia do Paraguai tacharam-no de “entreguista”. O governo tinha aceitado condições de comercialização de energia de Itaipu que, no fim das contas, significaria prejuízo do lado de lá e lucro para o Brasil. Foi o que levantou o risco de impeachment do direitista Benitez, razão para Bolsonaro ter topado desfazê-lo.

Há uma CPI em curso no Congresso paraguaio e uma investigação do Ministério Público sobre o acordo. O Senado brasileiro criou uma subcomissão para acompanhar as investigações paraguaias. Giordano é suplente do líder do PSL na Casa, Major Olímpio (SP). E tem empresas que funcionam no mesmo prédio onde o PSL paulista tem sede.

André Barrocal

André Barrocal Repórter especial de CartaCapital em Brasília

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