Política

Alckmin perde para o PCC

Na guerra, cresce o número de vítimas inocentes e policiais mortos. Mas o governador insiste que a facção criminosa é superestimada pela mídia

Em maio de 2006, o Primeiro Comando da Capital (PCC), associação delinquencial paulistana nascida nos presídios como a italiana Sacra Corona Unita, apavorou a população com ataques espetaculares. O medo tomou conta dos paulistanos, que se refugiaram nas suas residências.

Quando isso aconteceu, Geraldo Alckmin tinha renunciado ao governo do estado para concorrer à Presidência da República. Como legado, Alckmin deixou uma canhestra política militarizada de segurança pública e a passar a falsa impressão de tranquilidade à população. Não bastasse, não desmentiu o seu chefe do Departamento de Investigações Criminais na afirmação, em entrevista coletiva, de que o PCC estava agonizante.

Logo depois da saída da chefia do Executivo paulista, arti­culados ataques do PCC serviram para confirmar a falência da política militarizada de Alckmin, e o governador interino, Cláudio Lembo, foi apanhado de calças curtas. Não bastasse, um avião oficial conduziu negociadores para fechar um “armistício” com o chefão do PCC, recolhido em estabelecimento prisional.

De maio de 2006 em diante, excluída a curta passagem do pefelista Lembo, a política tucana para a segurança pública continuou calamitosa, com a agravante da manutenção do acordo celebrado com o PCC. Isso permitiu ao PCC difundir-se pela periferia e tecer uma potente e capilar rede criminal. O PCC passou a ter controles territorial e social.

Para se ter ideia, um respeitado padre da zona leste enviou uma carta ao cardeal arcebispo a relatar pressões do PCC e o patrocínio, em paróquias que indicou, de quermesses e festas litúrgicas. Com a volta de Alckmin, colocou-se de lado a Polícia Civil, apesar das suas tradições e do respeito conquistado junto à população. Num pano rápido, intensificaram-se as ações militarizadas, com todas as fichas apostadas na Polícia Militar.

A propósito, basta lembrar o nihil obstat de Alckmin na ridícula tomada militar do campus da Universidade de São Paulo e por causa de três cigarros de maconha na posse de usuários. E teve a desumana ação militar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, que resultou na expulsão de famílias instaladas há anos nesse bairro operário. Não se deve olvidar, também, a desumana e atrapalhada tentativa, sempre com policiais armados e emprego de violência, de acabar com um velho confinamento de dependentes químicos na Cracolândia. Em todos esses casos, Alckmin, em panos de Capitão Nascimento, repetia, sem corar e em entrevistas, frases de matriz fascista.

Pois bem. O PCC voltou, desde agosto passado, a mostrar os músculos e a Polícia Militar partiu para a guerra, que já é de uma clareza solar. Por operar em rede difusa por todas as zonas da capital e da periferia, o PCC, com ataques de norte a sul e de leste a oeste, colocou Alckmin e a sua polícia como “baratas tontas”.

Pouco antes do período eleitoral municipal, o governador paulista e os seus subordinados insistiam, como a esquecer o passado, na afirmação de o PCC ser supervalorizado pela mídia. Num dos embates sangrentos, Alckmin não poupou os paulistas ao soltar um “quem não reagiu não morreu”.

A guerra em curso tem ­gerado mortes dos dois lados. Pior, cresceu o número de vítimas inocentes, de policiais e carcereiros mortos em dias de folga. Fora isso, grupos de extermínio entraram no embate e o crime organizado já impôs toque de recolher aos moradores de territórios controlados.

O confronto teria sido uma resposta à morte, em janeiro, num confronto com policiais militares em São Bernardo do Campo (no ABC paulista), de um líder de nó da rede criminal operada pelo PCC. Fala-se numa carta interceptada em presídio, no mês de maio, com ordem de eliminação de policiais militares. A versão que corre nos bastidores das delegacias é outra. Dá conta de uma quebra do modus vivendi acertado em maio de 2006, com a Rota (polícia especial) a ingressar em territórios da periferia dominados pelo PCC e a perseguir vendedores de drogas ilícitas.

Nesta semana, depois de um bate-cabeça entre o secretário de Segurança paulista e o ministro da Justiça, a presidenta Dilma entrou em cena e acertou com o governador, além de auxílio financeiro, a constituição de uma agência de combate ao crime organizado e de reserva de vagas em presídios federais. Alckmin não deixou de reclamar ter o ministro Cardozo, da Justiça, se aproveitado da situação para abrir espaço para sair candidato ao governo em 2014. Como todos sabem, Alckmin pretende se reeleger e teme também ser coberto por uma pá de cal, como sucedeu a José Serra.

Ainda não se sabe se haverá alteração na política militarizada de Alckmin. Como serão repassadas informações do Banco Central e do órgão de inteligência financeira (Coaf), espera-se que se consiga atacar a economia movimentada pelo PCC, de modo a empobrecê-lo. Uma associação criminosa reticular, do porte do PCC, não sobrevive sem substancial lucro financeiro.

Em maio de 2006, o Primeiro Comando da Capital (PCC), associação delinquencial paulistana nascida nos presídios como a italiana Sacra Corona Unita, apavorou a população com ataques espetaculares. O medo tomou conta dos paulistanos, que se refugiaram nas suas residências.

Quando isso aconteceu, Geraldo Alckmin tinha renunciado ao governo do estado para concorrer à Presidência da República. Como legado, Alckmin deixou uma canhestra política militarizada de segurança pública e a passar a falsa impressão de tranquilidade à população. Não bastasse, não desmentiu o seu chefe do Departamento de Investigações Criminais na afirmação, em entrevista coletiva, de que o PCC estava agonizante.

Logo depois da saída da chefia do Executivo paulista, arti­culados ataques do PCC serviram para confirmar a falência da política militarizada de Alckmin, e o governador interino, Cláudio Lembo, foi apanhado de calças curtas. Não bastasse, um avião oficial conduziu negociadores para fechar um “armistício” com o chefão do PCC, recolhido em estabelecimento prisional.

De maio de 2006 em diante, excluída a curta passagem do pefelista Lembo, a política tucana para a segurança pública continuou calamitosa, com a agravante da manutenção do acordo celebrado com o PCC. Isso permitiu ao PCC difundir-se pela periferia e tecer uma potente e capilar rede criminal. O PCC passou a ter controles territorial e social.

Para se ter ideia, um respeitado padre da zona leste enviou uma carta ao cardeal arcebispo a relatar pressões do PCC e o patrocínio, em paróquias que indicou, de quermesses e festas litúrgicas. Com a volta de Alckmin, colocou-se de lado a Polícia Civil, apesar das suas tradições e do respeito conquistado junto à população. Num pano rápido, intensificaram-se as ações militarizadas, com todas as fichas apostadas na Polícia Militar.

A propósito, basta lembrar o nihil obstat de Alckmin na ridícula tomada militar do campus da Universidade de São Paulo e por causa de três cigarros de maconha na posse de usuários. E teve a desumana ação militar no bairro do Pinheirinho, em São José dos Campos, que resultou na expulsão de famílias instaladas há anos nesse bairro operário. Não se deve olvidar, também, a desumana e atrapalhada tentativa, sempre com policiais armados e emprego de violência, de acabar com um velho confinamento de dependentes químicos na Cracolândia. Em todos esses casos, Alckmin, em panos de Capitão Nascimento, repetia, sem corar e em entrevistas, frases de matriz fascista.

Pois bem. O PCC voltou, desde agosto passado, a mostrar os músculos e a Polícia Militar partiu para a guerra, que já é de uma clareza solar. Por operar em rede difusa por todas as zonas da capital e da periferia, o PCC, com ataques de norte a sul e de leste a oeste, colocou Alckmin e a sua polícia como “baratas tontas”.

Pouco antes do período eleitoral municipal, o governador paulista e os seus subordinados insistiam, como a esquecer o passado, na afirmação de o PCC ser supervalorizado pela mídia. Num dos embates sangrentos, Alckmin não poupou os paulistas ao soltar um “quem não reagiu não morreu”.

A guerra em curso tem ­gerado mortes dos dois lados. Pior, cresceu o número de vítimas inocentes, de policiais e carcereiros mortos em dias de folga. Fora isso, grupos de extermínio entraram no embate e o crime organizado já impôs toque de recolher aos moradores de territórios controlados.

O confronto teria sido uma resposta à morte, em janeiro, num confronto com policiais militares em São Bernardo do Campo (no ABC paulista), de um líder de nó da rede criminal operada pelo PCC. Fala-se numa carta interceptada em presídio, no mês de maio, com ordem de eliminação de policiais militares. A versão que corre nos bastidores das delegacias é outra. Dá conta de uma quebra do modus vivendi acertado em maio de 2006, com a Rota (polícia especial) a ingressar em territórios da periferia dominados pelo PCC e a perseguir vendedores de drogas ilícitas.

Nesta semana, depois de um bate-cabeça entre o secretário de Segurança paulista e o ministro da Justiça, a presidenta Dilma entrou em cena e acertou com o governador, além de auxílio financeiro, a constituição de uma agência de combate ao crime organizado e de reserva de vagas em presídios federais. Alckmin não deixou de reclamar ter o ministro Cardozo, da Justiça, se aproveitado da situação para abrir espaço para sair candidato ao governo em 2014. Como todos sabem, Alckmin pretende se reeleger e teme também ser coberto por uma pá de cal, como sucedeu a José Serra.

Ainda não se sabe se haverá alteração na política militarizada de Alckmin. Como serão repassadas informações do Banco Central e do órgão de inteligência financeira (Coaf), espera-se que se consiga atacar a economia movimentada pelo PCC, de modo a empobrecê-lo. Uma associação criminosa reticular, do porte do PCC, não sobrevive sem substancial lucro financeiro.

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