Ala do Patriota vai ao TSE contra mudanças que abrem as portas para a família Bolsonaro

O grupo acusa o presidente nacional da sigla de convocar uma convenção 'às escondidas' e mudar a formação do colégio eleitoral

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Política

Uma ala do Patriota contestou na Justiça um conjunto de decisões que antecederam a convenção nacional da sigla, realizada nesta segunda-feira 31. Na reunião, foi comunicada a filiação do senador Flávio Bolsonaro (RJ), decisão que abre caminho para a entrada do presidente Jair Bolsonaro no partido.

 

 

Uma das figuras contrariadas com as mudanças no Patriota é o secretário-geral Jorcelino José Braga, que teceu fortes críticas ao presidente da sigla, Adilson Barroso. “Não sabíamos da filiação do Flávio. Ele votou um monte de mudanças no estatuto que não foram discutidas com ninguém. Quer dizer, foi um assalto ao partido”, disse ao jornal O Globo.

No domingo 30, um grupo do Patriota apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral uma ação em que acusa Barroso de convocar a convenção partidária “às escondidas” e mudar a formação do colégio eleitoral a fim de assegurar uma maioria favorável à alteração do estatuto.

Eles não se opõem à ideia de Bolsonaro se filiar à sigla, mas ao modo como o processo tem sido conduzido.

“O presidente Adilson Barroso Oliveira está a praticar atos individuais e abruptos na gestão de um partido de caráter nacional”, argumentam os impetrantes.

“Pretendendo alterar o colégio eleitoral da convenção nacional, suprimindo votos desinteressantes e inserindo votos a seu favor, o presidente nacional Adilson Barroso Oliveira também suprimiu as Direções Estaduais que pugnavam pela tomada desta decisão de modo democrático e com ampla publicidade nas fileiras partidárias”, dizem ainda os correligionários na ação.

Entre as solicitações feitas ao TSE estão:

  • a restauração “da composição do Diretório Nacional da Comissão Executiva Nacional e dos
    Delegados Nacionais no SGIP/TSE ao status quo, garantindo-lhes direito de voto nas deliberações partidárias desde a data de sua destituição irregular”;
  • “determinação à serventia para que restabeleça o credenciamento dos DELEGADOS NACIONAIS irregularmente destituídos, garantindo-lhes direitos de votos nas deliberações partidárias desde a data de sua destituição irregular”;
  • “determinação à serventia para que exclua os nomes inseridos indevidamente na condição de Delegados Nacionais com data retroativa à sua inclusão indevida”.

Assinam a ação, além de Jorcelino Braga, o vice-presidente do Patriota, Ovasco Resende, e outros seis correligionários. O responsável pelo caso no TSE será o ministro Edson Fachin.

“Sabendo-se que o Exmo. Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro tem pretensões à reeleição e busca acomodar diversos apoiadores e mandatários, compete à convenção nacional do Patriota decidir democraticamente se o partido terá candidatura presidencial própria em 2022 e, em caso positivo, se é vontade da maioria que o candidato seja o Exmo. Sr. Presidente da República Jair Bolsonaro e que seus apoiadores ocupem posições no Patriota”, sustenta a ala descontente com as mudanças.

Nesta segunda, a filiação de Flávio Bolsonaro foi anunciada na convenção por Adilson Barroso.

“Uma grande honra para mim, Adilson, porque me sinto como fundador desse partido também. Ainda quando a legenda se chamava PEN, o senhor me procurou e construímos a várias mãos o novo estatuto do partido que foi refundado com o nome Patriota. Nome que participei diretamente da escolha, participei diretamente da escolha da logomarca, da construção deste estatuto”, afirmou o ‘Zero Um’.

No evento, Barroso não escondeu o desejo de receber Jair Bolsonaro. “Vamos ser grandes. Ele (Bolsonaro) vem hoje para o partido sem pedir uma bala. Aqui no Patriota ele confia em mim e não quer nada de nós”, disse.

 

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Editor do site de CartaCapital

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