Política
Adesão de militares a um golpe esbarrou em ausência de um líder, avalia Múcio
Para o ministro da Defesa, ruptura não foi adiante por não existir um militar que “dissesse assim: ‘Nós queremos, eu sou o chefe, vamos'”
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, admitiu que, em janeiro do ano passado, existiam militares dispostos a dar um golpe de Estado no Brasil, mas avalia que a empreitada não ganhou força pela ausência de um líder. A avaliação foi feita por ele em entrevista ao jornal O Globo, publicada nesta sexta-feira 5.
“Podia ser até que algumas pessoas da instituição quisessem, mas as Forças Armadas não queriam um golpe. É a história de um jogador indisciplinado em uma equipe de futebol: ele sai, a equipe continua”, afirmou o ministro ao jornal.
“No final, me parecia que havia vontades, mas ninguém materializava porque não havia uma liderança”, destacou. “[…] Não havia um líder que dissesse assim: ‘Nós queremos, eu sou o chefe, vamos’. Não existe revolução sem um chefe”, concluiu, então, Múcio.
Múcio ainda afirmou que Lula (PT), após as invasões, foi aconselhado a decretar uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), para utilizar o Exército para conter os bolsonaristas. O presidente, no entanto, negou, acreditando que se houvesse uma GLO, esses militares poderiam aproveitarem a oportunidade para materializar o golpe.
Para o ministro, um erro foi cometido por sua gestão ao permitir que os acampamentos em frente aos QGs do Exército seguissem montados após a posse.
“No dia 6 ou 7 de janeiro, o comandante do Exército disse que o movimento [em frente aos quartéis] estava enfraquecido. A inteligência tinha detectado uns ônibus, mas nada significativo”, conta.
“Combinamos que eles não entrariam no acampamento. Acho que cometemos um erro. Não era para ter entrado, nem os ônibus, nem as pessoas que vinham neles, mas as pessoas entraram”, explicou o ministro.
Ainda que reconheça a existência de um erro por parte da sua gestão em administrar a situação, Múcio aponta o Poder Judiciário como outro culpado pela escalada da violência.
“Será que se nós tivéssemos tomado uma providência mais dura, não teríamos promovido uma cizânia dentro das Forças Armadas? Fomos dentro do que a lei mandava. Por que a Justiça não determinou que se tirasse? Por que tinha que ser um ato imposto pela Defesa? A Justiça não tirou, só depois do dia 8″, questionou o ministro.
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