Política
A tentativa do PT de encerrar imediatamente o mandato de Ramagem
O STF declarou a conclusão do processo contra o deputado por sua participação na trama golpista
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), pediu nesta terça-feira 25 ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que declare imediatamente a perda do mandato do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Mais cedo, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes mandou oficiar a Câmara para formalizar o fim do mandato de Ramagem, condenado pela Primeira Turma a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado.
A Corte declarou nesta terça o trânsito em julgado do processo — ou seja, comunicou não caber qualquer novo recurso contra a sentença.
“A omissão em casos anteriores, como o da deputada Carla Zambelli e do deputado Eduardo Bolsonaro, contribuiu para um ambiente institucional permissivo, no qual parlamentares acreditam poder se afastar do país ou atuar contra o Brasil sem consequências funcionais”, escreveu Lindbergh em sua petição.
Ramagem fugiu para os Estados Unidos e é considerado foragido da Justiça brasileira. Ainda assim, rechaçou qualquer possibilidade de abandonar o mandato por vontade própria.
Segundo o dispositivo da Constituição citado por Moraes na decisão, perderá seu mandato o deputado ou o senador que “deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada”.
Neste caso, a Constituição prevê que cabe à Mesa da Câmara declarar a perda do mandato de ofício ou mediante provocação de um deputado ou de um partido, “assegurada ampla defesa”.
Lindbergh disse na petição a Motta que a manutenção do mandato e do pagamento de dinheiro público a Ramagem constitui uma grave afronta à moralidade administrativa, configurando desvio de finalidade e dano continuado ao erário.
“O exercício do mandato exige presença física, participação em sessões, votações e comissões, bem como disponibilidade institucional para o desempenho das funções parlamentares, o que é absolutamente incompatível com o cumprimento de pena em regime fechado.”
O presidente da Câmara ainda não se pronunciou sobre a solicitação.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Em votação rápida e unânime, 1ª Turma manda golpistas cumprirem suas penas
Por CartaCapital
Moraes manda comunicar TSE sobre inelegibilidade de Bolsonaro
Por Agência Brasil
Moraes determina que Anderson Torres cumpra pena na ‘Papudinha’
Por Vinícius Nunes


