Política
A reação de Marina a Tarcísio por crítica sobre disputar eleição em São Paulo
Carioca, o governador criticou a ex-ministra por concorrer ao Senado no estado
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) afirmou a CartaCapital nesta quinta-feira 9 que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), age com “dois pesos e duas medidas” ao questionar sua candidatura ao Senado pelo estado. Além disso, diz ela, o bolsonarista demonstra “arrogância ao achar que a generosidade e o acolhimento devem ser monopolizados por ele e seu grupo político”.
Na véspera, Tarcísio declarou que Marina, natural do Acre, e a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), de Mato Grosso do Sul, levaram “cartão vermelho” em seus estados. Por isso, de acordo com ele, buscam uma vaga no Senado por São Paulo neste ano. “Se fossem concorrer por lá, não seriam eleitas”, disse ele. “E, pode ter certeza, não serão aqui também. Porque a gente não vai deixar, a gente vai trabalhar para ter a melhor representação.”
Mais cedo, Tebet rebateu a crítica afirmando que não precisou “dar endereço alheio” para se candidatar.
Carioca, Tarcísio não tinha ligação direta com os paulistas quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu lançá-lo ao Palácio dos Bandeirantes, em 2022. Durante a campanha daquele ano, Tarcísio não soube responder em qual colégio votaria.
Em conversa com a reportagem nesta tarde, Marina disse ver tratamento desigual entre a sua candidatura e a do atual governador. “É uma atitude de dois pesos e duas medidas”, resumiu. Ela também destacou sua ligação de décadas com o estado: é casada com um paulista há quase 40 anos, mantém vínculos familiares em Santos desde 1979 e recebeu o título de cidadã paulista em 1995.
A ex-ministra afirmou ainda que a recepção oferecida por São Paulo não pertence a um grupo político. “A generosidade não é monopólio de ninguém. A única coisa que eu consigo ver é uma visão de quem acha que pode medir com uma régua e medir os outros com outra régua. E ainda tem a arrogância de achar que a generosidade e o acolhimento devem ser monopolizados por ele e seu grupo político.”
Segundo ela, as críticas também ilustram a resistência à presença de mulheres na disputa por espaços de poder. De acordo com Marina, alguns homens consideram natural quando candidatos mudam de estado para concorrer, mas reagem de forma diferente quando isso acontece com mulheres.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira 7 aponta que a ambientalista, com 18%, lidera as intenções de voto para o Senado em São Paulo. Tebet aparece na vice-liderança numérica com 16%, tecnicamente empatada com o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo), com 13%. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
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