Política

A crise silenciosa no PSD a 6 meses das eleições

A saída abrupta de Kassab do governo paulista, a desistência de Ratinho Jr. e a fragilidade nas pesquisas expõem dificuldades do partido para sustentar uma candidatura própria

A crise silenciosa no PSD a 6 meses das eleições
A crise silenciosa no PSD a 6 meses das eleições
O presidente do PSD, Gilberto Kassab. Foto: Cesar Bruneli / ACPS
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Eleições 2026

A seis meses da eleição presidencial, o PSD entra em uma fase decisiva no calendário eleitoral sem um rumo definido para sua candidatura nacional e acumulando sinais de enfraquecimento.

O movimento mais recente foi a saída de Gilberto Kassab da Secretaria de Relações Institucionais do governo de São Paulo. A decisão foi comunicada por mensagem de WhatsApp ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) antes mesmo de uma reunião, surpreendendo aliados e encerrando de forma abrupta uma relação que já se desgastava.

No plano nacional, o PSD também perdeu seu expoente mais competitivo para a disputa presidencial. O governador do Paraná, Ratinho Junior, decidiu abandonar a corrida ao Palácio do Planalto. Em simulações de primeiro turno, ele aparecia com cerca de 7%, ainda distante dos líderes, mas à frente dos demais postulantes do partido. 

Sem Ratinho, o PSD passou a depender de alternativas com desempenho ainda mais limitado. Na mesma pesquisa Genial/Quaest, Ronaldo Caiado registra cerca de 4% das intenções de voto, enquanto Eduardo Leite aparece com 3%. Em cenários equivalentes, Lula (PT) oscila entre 37% e 39%, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre 30% e 32%.

A fragilidade eleitoral se soma a outro problema: a ausência de palanques estaduais. Ao contrário de Lula e Flávio Bolsonaro, o PSD não conseguiu estruturar uma rede de apoio regional para sustentar um nome próprio à Presidência. Em estados estratégicos, lideranças da sigla já se alinham a projetos adversários.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes apoiará Lula. Em São Paulo, o partido está no campo de Tarcísio, aliado de Flávio. Em Minas Gerais, a articulação local também se aproxima da extrema-direita. 

O diagnóstico interno é que, embora o PSD mantenha força regional e quadros relevantes, falta coesão para transformar esse capital político em um projeto presidencial unificado. Diretórios estaduais seguem caminhos distintos, divididos entre apoio ao governo Lula ou à candidatura ligada ao bolsonarismo.

Diante desse quadro, a promessa de Kassab de lançar um candidato próprio enfrenta obstáculos evidentes. Sem unidade interna, com desempenho baixo nas pesquisas e sem palanques estruturados, o partido chega à reta final de definição eleitoral pressionado por um cenário em que a chamada “terceira via” segue sem espaço.

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