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A ameaça do “Pacote do Veneno”

Política

No momento em que a China amplia o rigor para o trato com o meio ambiente, o Brasil afrouxa as regras para a indústria de agrotóxicos

Fazendo uso do Congresso Nacional, onde a maioria dos deputados e senadores atua de forma fisiológica e de acordo com interesses pessoais, Judiciário que bate cabeças em rococós vários, e mídia garantidora do acordo secular de elites, o governo ilegítimo de Michel Temer tenta nos iludir com firulas mentirosas de que o País melhorou e vai bem.

Conforme demonstram as pesquisas de opinião até aqui divulgadas, convencem apenas parcela ínfima da população, até a página 5, digamos.

Treze milhões de desempregados; aumento pífio do PIB no 1º trimestre, carregado pelo peso agropecuário, pois indústria, comércio e serviços não financeiros permanecem estagnados; Selic caindo e spreads e taxas de serviços bancários subindo, a ponto de os lucros dos cinco principais bancos (concentração), no 1º trimestre, terem aumentado perto de 15% (para 17 bilhões de reais) sobre o mesmo período do ano anterior; ajudou terem demitido 2.200 funcionários.

Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam 7,7 milhões de déficit de moradias no país, com as decorrências trágicas conhecidas. Do IBGE, a Pnad Contínua mostra um aumento de 11% na pobreza extrema, para 14,8 milhões de pessoas.

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Adicione-se algo ainda mais terrível e resultado dos fatos antes narrados, a que leitores e leitoras, se preocupados com país mais justo, poderiam apontar vários outros: contadas como “crianças mortas até um ano por mil nascidas vivas”, que havia caído, entre os anos 2000 e 2015, de 26,1 para 12,4 (53%), a partir de 2016, segundo o Ministério da Saúde, voltou a ter tendência crescente.

Afinal, foi isso o que vocês pediram eles fizeram? Para tais resultados? Ainda mais: mostraram-se verdadeira quadrilha em cafofos apaniguados por Polícia Federal, Ministério Público e instâncias superiores do Judiciário.

Agem livres, leves e soltos, como agora, com o “Pacote do Veneno”, do deputado federal Luiz Nishimori (PR-PR), e seu Projeto de Lei 3.200/2015 que pede mais rapidez no registro de agrotóxicos no país.

Ou seja, pede coxas no lugar de profundidade e segurança.

O que Nishimori propõe é um prazo de um ano (hoje em dia, são três) até a aprovação e o registro das novas moléculas agroquímicas, não importando se proibidas fora do Brasil. Há falta de técnicos e recursos para tempo tão curto das pesquisas. Depois, babau, poderão ser comercializadas e usadas.

Nosso deputado paranaense fala em “registro provisório”. Faz me chorar. Todo o provisório no Brasil, se para o mal, é definitivo, se para o bem, é cortado. No caso, estariam suprimidos os poderes decisórios de ANVISA e IBAMA.

Isso, num momento em que a China amplia o rigor para o trato com o meio ambiente. O fechamento de fábricas irregulares de glifosato, por exemplo, reduz a oferta para exportação do veneno e aumenta seus preços. A medida pode ser boa para as agora irmãs Bayer e Monsanto, mas não para o produtor brasileiro. A China faz o que o planeta sempre cobrou dela. Nosso agronegócio pede o contrário.

Enquanto a porca tenta esticar o rabo, coloca-se as mais sérias restrições aos controladores biológicos ou biodefensivos, capazes de substituir ou, pelo menos, diminuir o uso das moléculas químicas. Permitidos com a regulamentação da Lei de Orgânicos, são de forma jocosa chamados de “caseiros” e geram preocupação entre as associações da Federação de Corporações.

Um dos líderes mundiais no consumo de agrotóxicos, quem preocupado em ter seu mercado invadido pelos “caseiros”?

Volto ao assunto. Se não mudar de ideia.

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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