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MPF antecipa denúncia contra José Dirceu para pressionar STF

por Redação — publicado 02/05/2017 12h17
Divulgação ocorre no mesmo dia em que a Corte julgará pedido de liberdade provisória do ex-ministro
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
José Dirceu

O ex-ministro está preso desde agosto de 2015

No dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar um habeas corpus do ex-ministro José Dirceu (PT), atualmente preso em Curitiba, o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná divulgou uma nova denúncia contra o petista, condenado duas vezes pelo juiz Sergio Moro no âmbito da Operação Lava Jato.

O objetivo parece ser impedir a liberdade provisória de Dirceu. Para isso, a força-tarefa procura mostrar, por meio da nova acusação, que o petista não respeita a Justiça e continuou a receber propinas mesmo após sua condenação no caso "mensalão".

A nova acusação é que o ex-ministro José Dirceu teria recebido propinas das empreiteiras Engevix e UTC, entre 2011 e 2014. 

"A acusação já vinha sendo formulada, mas em razão do habeas corpus de Dirceu, decidimos apresentar antes para que STF tenha mais embasamento", declarou Deltan Dallagnol em entrevista coletiva. 

Os procuradores afirmaram que respeitam o julgamento do Supremo, mas, ainda assim, apresentaram no mesmo dia uma nova denúncia contra o ex-ministro. 

Na nova denúncia, segundo informações da CNB de Curitiba, os procuradores criticaram a conduta de Dirceu por ter recebido "propina antes, durante e depois do julgamento do Mensalão". 

Em mais um indício de que se trata de uma pressão sobre os ministros do Supremo, a força-tarefa não fez um novo pedido de prisão preventiva para o ex-ministro, "pois confiamos no STF". 

"Existem razões de sobre para a manutenção da prisão de Dirceu, mas não fizemos novo pedido de preventiva pois confiamos no STF", afirmaram os procuradores.

A acusação também inclui o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva; o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores  João Vaccari Neto; além de Gerson de Melo Almada e Walmir Pinheiro Santana, ex-executivos da Engevix e da UTC, respectivamente.

A denúncia aponta a prática de 33 crimes de lavagem de dinheiro para dissimular a origem de mais de R$ 2,4 milhões. Segundo a força-tarefa da Lava Jato, o valor corresponde a propinas que foram pagas ao ex-ministro decorrente dos crimes de fraude a licitação, cartel e corrupção em benefício das empreiteiras, que assinaram contratos milionários com a Petrobras.

O ex-ministro está preso desde agosto de 2015 no Complexo Médico-Penal em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, a pedido do juiz federal Sergio Moro.

(Com informações da Agência Brasil)