“Quanto mais mexerem com o povo, mais a gente vai para a rua”

Política

A deflagração da 24ª fase da Operação Lava Jato, que teve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como alvo central, acirrou os ânimos dos militantes do PT.

Após depor no aeroporto de Congonhas para a Polícia Federal, Lula compareceu ao Diretório Nacional do PT, no centro de São Paulo, para um pronunciamento, no qual militantes que o acompanham desde a ditadura, representantes de movimentos sociais e jovens estudantes o aguardavam com cartazes e bandeiras do partido.

Luiza Helena dos Santos, 55 anos, afirmou que chegou cedo e não vai abandonar Lula. “Nós vamos ficar aqui hoje, amanhã, um mês, quantos dias forem necessários para defender Lula. A direita não deixa a Dilma trabalhar e ainda posa de bom moço, com ajuda da mídia, mas eles esquecem que quem sofre com isso é o povo”.

Com quase 70 anos, Maurias Alves Costa também decidiu integrar o movimento: “quanto mais mexerem com o povo, mais a gente vai para a rua”.

O estudante Vinícius Fernandes, 20, foi com amigos para defender o legado do governo Lula e com uma preocupação além: “há uma crescente onda da direita em todo mundo, estamos no meio de uma conjuntura complicada, e isso não pode ser reproduzido no Brasil”.

Além de mostrarem disposição para defender o ex-presidente e a democracia brasileira, os manifestantes também deixaram clara uma insatisfação com a imprensa.

“Me admiro que as pessoas não tenham percebido ainda o partidarismo da mídia, tão escancarado”, diz Edva Aguilar, 58 anos. “Estou aqui em apoio ao Lula que não fez nem tanto pela minha vida, mas pelas outros milhões que saíram da miséria graças a ele, e contra um Congresso que só representa o poder econômico. Estou com ele e com a Dilma, porque o que estão fazendo é uma retaliação ao PT com apoio total da mídia”.

Em dado momento, as manifestações contra a Rede Globo tomaram forma violenta. Antes do pronunciamento de Lula, uma repórter, identificada como sendo da Globo, o que CartaCapital não conseguiu confirmar, foi hostilizada e impedida de entrar no diretório por parte dos manifestantes.

Aos gritos de “a verdade é dura” e “fora Globo“, ela se escondeu em um prédio em frente ao diretório, enquanto a outra parte dos manifestantes tentava apaziguar a situação e impedir que ela fosse hostilizada.

“É sempre triste quando você agride uma pessoa, um trabalhador, seja ele quem for”, diz o estudante João Capusso, 21 anos, indignado com a cena. “Não está nas mãos dela o que a Rede Globo, o que a grande mídia faz. Claro que faz sentido ficar com raiva pelo histórico do que a Globo faz com os movimentos sociais e com o PT, mas tem que ser pacífico, garantindo o direito de liberdade de expressão”.

Iniciado o pronunciamento, Lula chamou atenção para o fato de que a mídia tinha conhecimento da ação da PF antes de seus advogados e para a falta de necessidade de um mandado de condução coercitiva, quando ele já prestou depoimento outras três vezes só neste ano.

Além disso, o ex-presidente abriu a possibilidade de voltar aos palanques e se candidatar em 2018, afirmando que a ação da Lava Jato só tem a fortalecer a ele e ao partido. Durante todo o pronunciamento do ex-presidente, ao lado de Rui Falcão e outros apoiadores do PT, os militantes bradaram em seu apoio.

O ex-senador Eduardo Suplicy, que também esteve na coletiva, afirmou que o ato do juiz Sergio Moro em aplicar uma medida coercitiva é um desrespeitoso e consiste abuso de autoridade. “Lula já tem procurado esclarecer o que ele pode”.

Além disso, o secretário de Direitos Humanos e Cidadania também destacou o papel da mídia no caso: “Não há um equilíbrio por parte dos órgãos de imprensa, que insistem em atribuir todos os males a quem é do PT. É importante a disposição de Lula de então percorrer o país para esclarecer os episódios”.

Para o diretor de LGBT da União Nacional de Estudantes, Augusto Oliveira, 24 anos, mexer com Lula é mexer com toda a população que vive melhor hoje, mesmo com a crise, do que antes. “Ele inverteu a pirâmide, colocando a maior parte da população, que está nas partes inferiores, como prioridade. E como diz um ditado do movimento estudantil, ‘quem não aguenta com a formiga, não assanhe o formigueiro’. Este é apenas o começo de uma revolução democrática”. 

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