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Viciados em shopping

Os centros comerciais movimentam cerca de 4% do PIB brasileiro

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Opção. A mediação na recuperação judicial da Le Postiche foi “satisfatória”, afirma Mandel, que atuou nas negociações da marca com os shopping centers - Imagem: Redes sociais
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Brasileiros adoram shopping ­center. Alguns falam em comodidade. Outros em segurança. Em qualquer dos casos, os números confirmam a premissa. Um estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas a pedido da Associação Brasileira de Shopping­ Centers mostra que os centros comerciais respondem por um impacto estimado de 441 bilhões no Produto Interno Bruto, o equivalente a perto de 4% de toda a atividade econômica do País. O estudo calcula que, somados vendas diretas, serviços, operações de apoio e efeitos em cadeia, os shoppings movimentam 862 bilhões de reais em valor bruto da produção. Na prática isso significa que o setor vai muito além das vitrines, ele concentra faturamento, logística, empregos e tributos em uma cadeia que envolve comércio, serviços, alimentação, entretenimento e finanças.

Os dados mais recentes da Abrasce mostram que o Brasil tem hoje entre 650 e 660 shopping centers em operação, com faturamento de pouco mais de 200 bilhões de reais em vendas anuais e em torno de 125 mil lojas ativas. O estudo da FGV amplia o olhar para os efeitos indiretos e induzidos, o número de empregos associados ao setor chega a 6,4 milhões, incluindo trabalhadores diretamente empregados em lojas, operações de segurança, limpeza, gestão, além de fornecedores e serviços correlatos.

MEIs ampliadas

O projeto do governo federal para ampliar o limite de faturamento do Microempreendedor Individual mira um universo de cerca de 16,8 milhões de empreendedores ativos. A proposta, encaminhada à Câmara, prevê elevar o teto anual dos atuais 81 mil reais para, aproximadamente, 110 mil reais em um primeiro momento e chegar a 140 mil em 2028. Hoje, o MEI pode faturar em média 6,75 mil reais por mês e paga um imposto fixo entre 70 e 80 reais mensais. Com a proposta, os valores iriam para os patamares médios de 9,1 mil reais, com expectativa futura de 11,6 mil por mês, mantendo a simplicidade tributária. O principal grupo beneficiado são os empreendedores que hoje operam no limite do regime, especialmente em serviços e comércio, e temem ser obrigados a migrar para microempresa ao primeiro salto de faturamento. Ao permitir que o MEI fature mais sem mudança imediata de enquadramento, o governo tenta reduzir o medo de crescer, estimular investimento e preservar a formalização de uma mão de obra que ainda tem forte presença na informalidade.

A Ceratti muda de mãos

O Grupo Zanchetta Alimentos anunciou a compra da Ceratti, uma das marcas mais tradicionais de frios e embutidos do País, hoje controlada pela norte-americana Hormel Foods. A operação envolve 100% do negócio e ainda depende de aprovação do Cade para ser concluída. Fundada em 1932, a Ceratti nasceu a partir da tradição de charcutaria trazida pelo imigrante italiano Giovanni Ceratti e construiu, ao longo de mais de 90 anos, um portfólio que inclui salames, presuntos, mortadelas e salsichas. Em 2017, a marca foi vendida para a Hormel, em um negócio avaliado em perto de 104 milhões de dólares, que marcou a entrada da gigante dos EUA na América do Sul. Agora, nove anos depois, volta ao controle de um grupo brasileiro. Com sede em Bauru, o Zanchetta é um dos maiores processadores de proteína animal do País, com atuação em aves, suínos, bovinos e marcas como Alliz, Mondelli e Frangoeste.

Gol da Cimed

A promoção “O Brasil jogou, a sua compra dobrou”, da Cimed, tornou-se um dos principais sucessos de marketing ligados à Seleção em 2026. Patrocinadora oficial do time, a farmacêutica triplicou as vendas nos dias de jogos, ao combinar mecânica simples no varejo com forte presença nas redes sociais. As farmácias e supermercados passaram a oferecer nesses dias uma promoção muito simples: na compra de uma unidade de produtos participantes das marcas da Cimed, o consumidor leva duas pelo preço de uma, sempre que o Brasil entra em campo.

A ação foi desenhada para acompanhar o calendário da Seleção, com metas ambiciosas de faturamento durante a Copa. Ao mesmo tempo, a empresa ativou um ecossistema digital com perfis de Carmed, Lavitan, linha esportiva Cimed, infantil João & Maria e dos próprios executivos, além de influenciadores. Somados, esses canais alcançaram mais de 1 bilhão de visualizações no período da campanha, com grande parte da audiência composta de novos usuários, o que ampliou o reconhecimento das marcas e o alcance orgânico. •

Publicado na edição n° 1420 de CartaCapital, em 08 de julho de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Viciados em shopping’

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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