Opinião

Rui Daher: Jair Bolsonaro no País das Maravilhas

‘Pinóquio me pareceu um pouco mais verossímil’, escreve o autor

Presidente da República Jair Bolsonaro, durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONU. Foto: Marcos Corrêa/PR
Presidente da República Jair Bolsonaro, durante gravação de discurso para a 75ª Assembleia Geral da ONU. Foto: Marcos Corrêa/PR

Foi difícil optar em escrever esta coluna se baseado no livro “Alice no País das Maravilhas”, escrito em 1865, pelo britânico Charles Lutwidge Dodgson, com o pseudônimo Lewis Carroll, ou em “As Aventuras de Pinóquio”, escrito pelo italiano Carlo Collodi, escrito em 1881, e publicado dois anos depois em Florença.

De início, me pareceu mais fácil a obra do italiano sobre o boneco de pau que, fabricado pelo mestre carpinteiro Gepeto, ganha vida e um nariz que se alonga a cada mentira.

Depois de pensar um pouco mais achei que, embora caísse muito bem no discurso do presidente do Brasil, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), que usou e abusou de encompridar seu nariz, precisaria de algo menos óbvio, mais complexo.

Tão difícil entender a Federação de Corporações pós bolsonarismo, escolhi as doidices, doideiras, maluquices, no País das Maravilhas, enfim, mais próprio de um Regente Insano Primeiro, clã, acólitos e apoiadores.

Pinóquio me pareceu um pouco mais verossímil. Sigamos, pois, Alice por capítulos:

  1. A queda na toca do Coelho Branco: Donald Trump;
  2. A lagoa de lágrimas: Flávio chora e cria um lago profundo para faltar a acareação;
  3. Corrida de comitê e história comprida: PSL e Centrão;
  4. O coelho dá um encargo a Bill [o lagarto], que faz Alice beber de uma garrafa que a faz crescer e diminuir com pedaços de bolo até fugir da casa: Ricardo Salles e Ernesto Araújo;
  5. Conselhos de uma Lagarta Azul (Alice volta ao tamanho normal): Os ambientalistas;
  6. Porco e Pimenta (quando peixe e sapo lacaios convencem Alice a se encontrar com a Duquesa): Maia e Alcolumbre;
  7. Um chá de loucos (Chapeleiro Maluco, Lebre de março, Aganas. Alice comparece): Reunião Ministerial 22 de abril de 2020);
  8. O campo de croqué da Rainha de Copas (quando Alice é convidada para jogar críquete com a Rainha. Mesmo a ponto de ser decapitado o Gato de Cheshire salva Alice: Privatizações de Paulo Guedes;
  9. A História da Tartaruga Falsa (Grifo e a Tartaruga tentam enternecer Alice com falsidade): Hamilton Mourão;
  10. A Quadrilha da Lagosta (uma dança): Clã, acólitos e apoiadores reeditam o Baile da Ilha Fiscal;
  11. Quem roubou as tortas da Rainha? (quando o valete de Copas é levado a julgamento): STF, STJ, TRFn, Lava-Jato, Moro;
  12. Depoimento de Alice (que discute com o Rei e a Rainha de Copas. É condenada à decapitação. Agora, muito alta não conseguem, é quando a irmã de Alice a acorda: A esquerda e Lula.

Sim, tudo poderia estar concluído, não fosse transmissão que recebo do florentino Collodi. Transcrevo:

– Signor Rui, rispetto la sua scelta per Carroll, ma dove si trova Bolsonaro nel suo discorso all’ONU. Ti è cresciuto il naso?- Onorevole Collodi, ha perfettamente ragione. Sappiamo tutti che i contadini e gli indigeni non hanno nulla a che fare con la deforestazione e gli incendi. Anche che è responsabile della morte di 140 mila brasiliani per il “gripezinha” e la sua negligenza. Chiedo scusa.- Caro Rui, non lasciargli finire il paese più amato dagli italiani.- Collodi, ti aspettiamo al “Domino de Botequim” per un bichieri. Sarai benvenuto. Auguri!

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