Alberto Villas

villasnews@uol.com.br

Jornalista e escritor, edita a newsletter 'O Sol' e está escrevendo o livro 'O ano em que você nasceu'

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Pra não dizer que não falei de grana

Sou do tempo em que a gente pedia um Cabral de empréstimo e, com tudo a preço de banana, pagávamos com um Tamandaré

Pra não dizer que não falei de grana
Pra não dizer que não falei de grana
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
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Sou do tempo em que tirar dinheiro era ir ao banco no horário comercial, entrar na fila, entregar o cheque para o caixa, que ia lá dentro e voltava com uma ficha de cartolina na mão. Verificava o saldo, conferia a assinatura e pedia para escrever no cheque: ao portador.

Sou do tempo em que a gente pedia um Cabral de empréstimo e, com tudo a preço de banana, pagávamos com um Tamandaré.

Passei pelo cruzeiro, pelo cruzeiro novo, pelo cruzado, pelos cruzados novos, pelo cruzeiro real. Não peguei os mil reis, mas me lembro quando não tinha tostão furado.

Sou do tempo em que as pessoas falavam dindin, grana preta, do tempo que, para viajar pro estrangeiro, a gente comprava traveler check. Para descontar, tinha de assinar o cheque na frente do caixa.

Sou do tempo do Banco da Lavoura, do Banco do Estado de São Paulo, do Banco Real, do Banco Rural, do Bozano Simonsen, do Banco Nacional, aquele que estava ao seu lado. Lembro-me bem do cheque verde do BERJ.

Sou do tempo em que cofrinho era um objeto de lata, onde guardávamos moedas pra ir ao matinê no Cine Pathé, para comprar um drops Dulcora, comer um banana Split na lanchonete das Lojas Americanas.

Sou do tempo da carteira de couro, onde guardávamos as notas em valores decrescentes e uma fotografia 3X4 da namorada.

Sou do tempo em que Paulo Vanzolini cantava na Praça Clovis, minha carteira foi batida. Tinha 25 cruzeiros e teu retrato. Vinte e cinco, francamente foi de graça para me livrarem do meu atraso de vida.

Sou do tempo em que Caetano cantava não me amarro em dinheiro não, beleza pura!

Sou do tempo dos filmes Por um punhado de dólares e O dólar furado. Do pecúlio e do Montepio da Família Militar.

Vi a chegada da Internet, da senha, dos caixas eletrônicos, do Pix, do NuBank, que nem sei onde fica. Mas uma coisa tem me encucado nos últimos dias.

Alguém, por favor, pode me explicar que diabo é esse de Criptomoeda e de Bitcoin?

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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