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Polícia Militar se tornou a força mais corrupta e mais letal do Brasil

Opinião,Sociedade

É possível aplaudir nestes momentos, ainda que com cautela, o desempenho das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro, as quais, após um ano – um ano! –, prenderam os acusados de matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista? Fantástica demora, sem fechar o caso.

Presos dois policiais militares aposentados, mas é preciso encontrar o mandante ou os mandantes do crime. São, porém, os PM os que mais se prestam a tais serviços sujos. Como se dá agora. São eles os que mais matam, trata-se da força mais corrupta e mais letal do País.

O sangue derramado no Rio pela perseguição policial infelizmente jorra forte em todos os estados. Em 2018, mais de 5 mil pessoas foram mortas por policiais. À terra carioca a indiscutível primazia: acima de 1,2 mil.

(Foto: Mídia Ninja)

Um relatório produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública confirma inexoravelmente tanto a violência policial no Rio de Janeiro quanto a corrupção. Será porque o agente carioca ganha menos que seu par de outros estados? Oficialmente, é possível. Não é, porém, apenas por esta razão. Foi ao longo da história que os cidadãos e os policiais aliaram-se à polícia. Daí nasceu a cumplicidade. Agora todos pagam o preço.

Uma cena corriqueira vê fardados a filar boia nos restaurantes, mesmo os mais estrelados. Comem, pedem um palito ao garçom e saem agradecidos. O único constrangimento é do freguês.

“Brasil e Estados Unidos, juntos, assustam os defensores do atraso e da tirania ao redor do mundo” (Bolsonaro propôs, Trump topou. Dormirão em paz)

Exemplo, só aparentemente miúdo. Esses péssimos hábitos ocorrem também por conta do comandante do quartel. Libera os comandados, se não todos alguns deles, devidamente autorizados, a botar gasolina de graça nos carros oficiais no posto da esquina.

Leia também: Violência policial, propulsor dos homicídios no Brasil

Está claro que o problema maior foi gerado pela chegada das drogas. O dinheiro rolou e se fixou. Os governantes apelaram para o Exército. Houve resistência, temiam a contaminação dos soldados pelo exército de traficantes.

Nada mais exemplar do que a recente incursão oficial no Rio. Nos meses que passaram na cidade, praticamente, tudo ficou na mesma, quando não piorou. Visitaram as favelas do Alemão, da Penha e da Maré. Na verdade, foram cinco dias de operação sem sucesso, até que as “férias” chegaram ao fim.

Nestas ocasiões, cresce sorrateiramente a aproximação entre soldados e traficantes, enquanto a guerra produz as suas vítimas.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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Editor Especial da revista CartaCapital

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