Pílulas Opinativas: temos hoje um ogro insano cercado de inúteis marionetes

'Pois bem, o que todas essas degenerações provocam no organismo? Enjoo, ânsia de vômito, náusea', escreve Rui Daher

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

Opinião

Privilegiado, não pela idade, mas pela infinita irresponsabilidade, decidi tomar a segunda dose da vacina chinesa. Confesso nenhum temor com os possíveis efeitos colaterais, pois “cansado da vida, cansado de mim, a velhice chegando, e eu chegando ao fim” (Antônio Maria 1921/1964).

O genial compositor pernambucano, morreu no Rio de Janeiro, seis meses depois de ter percebido o que seria o Brasil a partir do golpe civil-militar que interromperia a democracia por 21 anos, até ser trocado por um atabalhoado “intervalo comercial” (apud Tarso de Castro), que dura até hoje.

Sim, tivemos quase três décadas de regeneração: Itamar Franco, Fernando Cardoso, Lula, Dilma. Nem falemos de quem melhor se saiu, para não acirrar ânimos, mas após 2016, outro golpe, tivemos antes um nada e, hoje, um ogro insano cercado de inúteis marionetes.

Mimetizo Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta (1923-1968), brincando com a canção de Antônio Maria: “Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire”.

 

 

Que poucos leem, e menos ainda gostam de minhas crônicas, eu sei. Caso contrário não estaria até hoje, depois de 45 anos, vendendo produtos agrícolas sustentáveis, quase quebrando um dia sim outro também.

Mas, se o poeta francês clássico Charles Baudelaire (1821-1867) propiciou a sacada de Sérgio Porto, o que sobrará para a minha galhofa?

“Ninguém me lê, ninguém me escuta, ninguém me chama a uma disputa”.

Triste, isolado há mais de um ano, nesta CartaCapital escrevo páginas tortas. Notícias sobre agronegócios, tiradas de folhas e telas cotidianas, impedidas as minhas narrativas presenciais, com caboclos, caipiras, campesinos e tabaréus. Se assim continuar, de que servirá a coluna?

Estão esperando minha “pílula opinativa” agropecuária de hoje? Certo.

Vamos lá:

Ouvir que a pandemia pelo coronavírus é o único fator de esquivo do Regente Insano Primeiro e de seu desatualizado ministro da Economia, Paulo Guedes, de fazerem crescer o desemprego e a extrema pobreza.

Ou devemos aí incluir os desastrados Salles, Damares, astronauta Pontes, e militares sem especialização? Esqueci Ernesto Araújo, mas este foi defenestrado pela valente ruralista senadora Kátia Abreu.

Pois bem, o que todas essas degenerações provocam no organismo? Enjoo, ânsia de vômito, náusea:

Dramin®.

1. No inicio de maio, associações de produtores rurais planejavam uma manifestação de apoio ao governo federal contra medidas, como o lockdown. Por ação do próprio Planalto e das principais associações de classe foram desaconselhados;

2. Sempre mesquinhos em financiar a agropecuária, os três grandes bancos privados, diante dos juros livres, cresceram os olhos sobre o setor e cresceram 23% suas carteiras com o agro;

3. Apesar de um VBP (Valor Bruto da Produção) perto de 1,1 trilhão de reais, caminhamos rapidamente para voltarmos ao Mapa da Fome.

Nota: dosagem de acordo com seus níveis de indignação.

Inté!

 

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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