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Pé na Europa

A UE não vê empecilho na joint venture entre a Suzano e Kimberly-Clark

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Rio de Janeiro (RJ), 16/01/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula van der Leyen, durante reunião no Palácio do Itamarati antes da assinatura do acordo Mercosul - União Européia. Foto: Ricardo Stuckert/PR
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A União Europeia deu o pontapé decisivo para a reconfiguração do mercado global de papel ­tissue ao aprovar, sem restrições, a joint venture entre a brasileira Suzano e a norte-americana Kimberly-Clark, após concluir que a operação não traz riscos relevantes à concorrência no bloco. O aval, concedido em maio, liberou a implementação de um acordo avaliado em 3,4 bilhões de dólares, que reposicionou a Suzano na cadeia de valor de produtos de consumo e consolidou a parceria com a multinacional de higiene pessoal.

Firmado em 2025, o negócio prevê que a Suzano invista em torno de 1,7 bilhão de dólares para deter 51% da nova companhia global de tissue, enquanto a ­Kimberly-Clark permanece com 49%, como sócia estratégica e guardiã de marcas consagradas. A joint venture reúne 22 fábricas em diferentes regiões do mundo e um portfólio de marcas icônicas, como Kleenex, Scott e Cottonelle, além da linha profissional voltada a estabelecimentos comerciais e corporativos. A operação cria uma plataforma global integrada de produtos de higiene, combinando a força industrial e florestal da Suzano com a capilaridade de marcas da ­Kimberly-Clark nos pontos de venda.

As negociações começaram meses antes do anúncio oficial, sob o codinome “Projeto Pegasus”. O desenho societário foi pensado para garantir à Suzano o controle operacional da nova empresa e a opção de, no futuro, adquirir os 49% restantes, enquanto a norte-americana monetiza parte dos ativos, reduz a exposição a um negócio intensivo em capital e preserva presença estratégica em mercados-chave.

220 volts

Em abril, a BYD atingiu um marco histórico no Brasil ao liderar pela primeira vez o varejo automotivo, com 14.911 carros emplacados e mais de 18,5 mil unidades, somando todos os canais. A marca superou a Volkswagen e a Fiat no ranking de vendas ao consumidor, feito inédito para uma montadora focada em veículos eletrificados, e consolidou o avanço dos elétricos e híbridos no País. O desempenho foi puxado principalmente pelo Dolphin Mini, elétrico compacto que somou 5.943 unidades em abril e se manteve como modelo mais vendido da marca no varejo, seguido pela família Song, que ultrapassou 4 mil emplacamentos no mês. Os resultados reforçam a percepção de que o mercado brasileiro de eletrificados deixou de ser nicho e passou a disputar volume com carros a combustão em segmentos de entrada e de SUVs.

Coca mini

A Coca-Cola reforça a aposta em embalagens menores para atravessar um cenário de consumidor mais sensível ao preço. Embora alguns analistas citem uma estratégia de redução de tamanho e fim das embalagens populares, a iniciativa vai muito além. Embalagens menores reforçam o valor de desembolso menor e abrem a possibilidade de um preço médio por litro maior. Em síntese, o desembolso para consumir uma marca consolidada e desejada será competitivo no dia a dia da compra. A empresa e o canal tendem a ganhar mais com o preço médio maior e giro mais rápido. A estratégia inclui garrafas de 1,25 litro, opções de 1,5 litro, minilatas e embalagens individuais. O movimento ainda amplia uma vantagem competitiva da empresa, sua competência em distribuição. A Coca-Cola terá embalagens para venda em diferentes canais e ocasiões. É preciso lembrar que, ao se afastar de embalagens maiores, a marca evita o confronto de percepção com marcas que construíram estratégias focadas em preços. E qualquer bom profissional de marketing sabe que preço não é patrimônio.

Resolução amarga

A partir de novas regras de rotulagem, os termos “chocolate amargo” e “chocolate meio amargo” passam por um ajuste que mira mais transparência para o consumidor e padronização no mercado. Na prática, a mudança está na faixa de teor de cacau que cada categoria deve apresentar, o que impacta diretamente sabor, doçura e uso em receitas. Hoje, produtos classificados como meio amargos costumam ter entre 40% e 55% de cacau, com menos açúcar que a linha ao leite, mas ainda com certa suavidade no paladar. Já o chocolate amargo será definido como uma faixa superior, com maior concentração de massa de cacau e bem menos açúcar, resultando em sabor mais intenso e menos doce. Em linhas gerais, chocolates com mais de 50% de cacau podem ser tratados como “escuros”, mas o novo balizamento tende a separar com mais nitidez aqueles que ficam em torno de 50% daqueles acima de 70%, usualmente chamados de extra-amargos. Para o consumidor, a mudança promete rótulos mais alinhados à percepção de amargor. •

Publicado na edição n° 1413 de CartaCapital, em 20 de maio de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Pé na Europa’

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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