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Morto aos 43 anos, Leonid Radvinsky transformou uma pequena plataforma em uma máquina de faturamento

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Créditos: Reprodução
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O bilionário Leonid Radvinsky, controlador do OnlyFans, morreu aos 43 anos, na sexta-feira 20, encerrando o ciclo do executivo que transformou uma pequena plataforma britânica em um dos negócios mais lucrativos e controversos da economia de criadores. O OnlyFans foi criado em Londres, em 2016, por Tim Stokely, com a proposta de ser um site de assinaturas para qualquer tipo de conteúdo, de ­fitness a culinária. O modelo era simples: fãs pagam uma mensalidade para acessar conteúdos dos criadores. A plataforma ficava com cerca de 20%, o criador com 80%. Em 2018, Stokely vendeu o controle para Radvinsky, veterano do mercado adulto online, que acelerou a expansão global e consolidou o foco em conteúdo sexual explícito.

O dinheiro veio rápido. Em 2024, o ­OnlyFans movimentou cerca de 7,2 bilhões de dólares em pagamentos de usuá­rios, com receita líquida de aproximadamente 1,4 bilhão de dólares e lucro pré‑imposto de quase 700 milhões de dólares. Paralelamente, a marca passou a ser pressionada por bancos, reguladores e debate público, ao mesmo tempo que via surgir um novo concorrente. Avatares gerados por inteligência artificial, usados tanto por criadores para automatizar interações quanto por plataformas rivais que oferecem musas 100% sintéticas.

Radvinsky iniciou a negociação para a venda de cerca de 60% da empresa para a gestora norte-americana Architect Capital, em um acordo que avaliava o negócio em torno de 3,5 bilhões de dólares em capital, chegando perto de 5,5 bilhões de dólares ao incluir dívidas. O futuro da plataforma, agora sem seu principal articulador, passa a ser disputado entre o apetite financeiro dos fundos, o cerco regulatório e a próxima fronteira, o sexo mediado por algoritmos.

Panelas e sombreiros

A Tramontina inaugurou sua primeira fábrica própria no México, em Lerma, como parte de uma estratégia para acelerar a internacionalização da produção e ficar mais perto do mercado norte-americano. A unidade, focada em frigideiras de alumínio com revestimento antiaderente, nasce com capacidade para produzir até 100 mil peças por mês, atendendo inicialmente apenas o mercado mexicano. Fundada em 1911 na Serra Gaúcha, a Tramontina construiu trajetória a partir da cutelaria para um portfólio hoje superior a 22 mil itens, que vão de talheres, panelas e utensílios domésticos a ferramentas profissionais, equipamentos elétricos, eletroportáteis e soluções para cozinha profissional. O grupo opera com fábricas no Brasil e na Índia, emprega mais de 10 mil funcionários e exporta para mais de 120 países.

Músculos e cérebros

A Smart Fit passou a oferecer audiolivros aos alunos, em uma parceria com a plataforma Skeelo que integra leitura e treino na mesma experiência digital. Clientes do plano Black ganham direito a um audiolivro por mês, acessado pelo app, podendo escolher entre títulos do catálogo para ouvir durante os exercícios. A iniciativa mira especialmente quem usa o tempo na esteira ou na musculação para consumir conteúdo, reforçando o discurso de estilo de vida que vai além do treino físico. O movimento ganha peso pelo tamanho da rede: a Smart Fit encerrou o ano passado com 2.084 academias em operação em 16 países, mantendo-se como a maior rede da América Latina e a maior fora dos Estados Unidos, com mais de 5,5 milhões de clientes na região. É o mercado editorial crescendo, literalmente, na esteira das academias.

Danone protein

Há uma febre proteica em todo o mundo. Tudo que se consome hoje pode (ou deve?) ter proteína adicionada. A tendência coloca os grandes grupos focados em ganhar mais musculatura para disputar­ o mercado. Agora é a vez da Danone, que anunciou a compra da britânica Huel, startup de produtos proteicos, em um negócio avaliado em cerca de 1 bilhão de euros, ou 6 bilhões de reais. Fundada em 2015 por Julian Hearn, a Huel cresceu com uma estratégia certeira de construção de marca e foco em canais especializados e academias, vendendo shakes e barras de origem vegetal em mais de 25 mil pontos de venda e canais digitais.

A transação avalia a Huel em algo próximo de quatro vezes a receita anual, um múltiplo superior àquele de grandes grupos tradicionais de alimentos, refletindo a aposta da Danone em categorias de alto crescimento como nutrição funcional e refeições prontas saudáveis. O objetivo é acelerar a presença no segmento de nutrição completa, capturar o público jovem que busca conveniência e proteína vegetal e diversificar além dos laticínios. •

Publicado na edição n° 1406 de CartaCapital, em 01 de abril de 2026.

Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘OnlyMoney

A opinião de colunistas e convidados não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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