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Onde não mora ninguém
Estoque de imóveis prontos sem comprador chega a 38 bilhões de reais
Levantamento da plataforma de inteligência imobiliária Órulo, feito a pedido do CIMI360, revela que incorporadoras brasileiras acumulavam, até o fim de junho, 30.085 imóveis novos concluídos e ainda sem comprador em 11 regiões metropolitanas do País. Pelo preço anunciado pelas próprias empresas, esse estoque parado representa 38,1 bilhões de reais. A divisão do valor total pelo número de unidades resulta em um preço médio por unidade de, aproximadamente, 1,27 milhão de reais. Os dados mostram que um em cada oito imóveis novos disponíveis nessas regiões está pronto para morar, proporção que supera um em cada quatro em Porto Alegre, Goiânia e na Grande Florianópolis.
O paradoxo é que esse estoque convive com um déficit habitacional estimado em 6 milhões de moradias no Brasil, pois quem precisa de casa nem sempre consegue pagar pelo produto pronto disponível no mercado. Entre as causas está a Selic elevada, que encareceu o financiamento imobiliário e reduziu o ritmo de compra das famílias, derrubando as vendas do segmento financiado pelo SBPE em 30,7%. Juros altos também levam parte dos compradores a preferir investimentos como o CDI, mais rentáveis no curto prazo do que imobilizar capital em um imóvel. Enquanto isso, o estoque parado gera custos extras às incorporadoras, como manutenção, condomínio e impostos, imobilizando recursos que poderiam ser reinvestidos.
Pop on the rocks
A LVMH confirmou no início da semana a venda de sua participação na marca de uísque SirDavis para Beyoncé, que passa a ser dona de toda a operação. A negociação teria sido concluída no fim de julho, mas só foi oficializada pelo grupo francês agora. Os valores financeiros da transação não foram divulgados. A SirDavis nasceu em 2024 como joint venture entre a cantora e a Moët Hennessy, divisão de vinhos e destilados da LVMH, como parte de uma tendência de parcerias entre grifes de luxo e celebridades. O nome homenageia Davis Hogue, bisavô de Beyoncé, que produzia destilados de forma artesanal no Sul dos EUA durante a Lei Seca. A linha combina 51% de centeio e 49% de malte de cevada, receita assinada pelo mestre destilador Bill Lumsden, referência na Glenmorangie e na Ardbeg. As garrafas foram lançadas a 89 dólares em mercados como Houston, Nova York, Londres, Paris e Tóquio. Com o controle total, Beyoncé passa a comandar sozinha estratégia, marketing e expansão da marca, sem dividir decisões ou lucros com a LVMH. O movimento fortalece sua presença como empresária no setor de bebidas de luxo, área em que Jay-Z havia negociado com a Moët Hennessy em 2021, ao vender parte da Armand de Brignac.
Remédio na porta
A Anvisa revogou medida que impedia a venda de medicamentos por meio da Shopee e abriu espaço para farmácias e drogarias licenciadas operarem em plataformas digitais, como marketplaces e aplicativos de entrega. A mudança foi publicada no Diário Oficial da União em 6 de agosto último. A decisão não transforma Shopee, Mercado Livre, iFood ou empresas similares em farmácias. Essas companhias atuarão como intermediárias tecnológicas ou logísticas, enquanto a comercialização deverá ser feita exclusivamente por estabelecimentos regularizados, com licença sanitária, autorizações exigidas e farmacêutico responsável. A responsabilidade pela procedência, armazenamento, transporte e orientação ao paciente continua com a farmácia ou drogaria anunciante. Vendedores comuns, indústrias e distribuidores sem habilitação não podem ofertar medicamentos diretamente ao consumidor. A Anvisa poderá determinar a retirada de anúncios, apreensão de produtos e suspensão de vendedores em casos de medicamentos falsificados, sem registro ou vendidos de forma irregular.
Pé no acelerador
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores divulgou dados referentes ao acumulado de janeiro a julho. No período, foram emplacados perto de 1,7 milhão de veículos novos, alta de 17,9% ante os sete primeiros meses de 2025. Só em julho, o mercado registrou 279,5 mil unidades, avanço de 14,9% na comparação anual. Os eletrificados foram o principal destaque do mês. Elétricos e híbridos responderam por 23,5% das vendas de julho, patamar recorde e mais que o dobro da participação inferior a 11% registrada um ano antes. Os elétricos puros somaram em torno de 25,8 mil emplacamentos. Os híbridos convencionais, 17,4 mil, e os híbridos plug-in, 19,1 mil. Juntas, essas tecnologias indicam que quase um em cada quatro veículos vendidos no País já tem algum grau de eletrificação. •
Publicado na edição n° 1426 de CartaCapital, em 19 de agosto de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Onde não mora ninguém’
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