Educação

O sonho de voltar a contar histórias de sucesso da Educação Básica no Brasil

Mesmo com as dificuldades, estados e municípios vêm construindo alternativas para reduzir os impactos da pandemia no fechamento das escolas

Diz a velha máxima que notícia boa não vende jornal. E que a melhor notícia, portanto, seria mesmo a notícia ruim. Será?

Entre uma e outra, não faltam no noticiário brasileiro recente fatos desanimadores na Educação, que põem em risco não somente o nosso presente, mas conquistas recentes e desenvolvimentos futuros. O Brasil foi recordista mundial em dias de escolas fechadas, e o mau gerenciamento da pandemia, sobretudo em função da inclassificável postura e (in)ação do Governo Federal, teve impacto brutal na Educação Básica, penalizando de forma dura justamente os mais pobres. Mas o que talvez alguns não saibam é que o Todos Pela Educação faz questão de pesquisar, analisar e compartilhar bons exemplos educacionais espalhados pelo Brasil. São histórias – antes e durante a pandemia – que reafirmam a nossa convicção na transformação e na diminuição das desigualdades. O Brasil tem muito a aprender com o Brasil.

Além da análise robusta de casos positivos de redes estaduais e municipais de ensino, na iniciativa Educação Que Dá Certo desenvolvemos documentos técnicos que descrevem os fatores críticos de sucesso por trás das experiências e publicamos materiais de diferentes formatos para espalhar e inspirar soluções. Queremos especialmente mostrar que há boas políticas públicas sendo feitas, que há gestores públicos comprometidos com a melhoria dos resultados e que, a despeito dos desafios, é possível fazer e obter bons resultados.

E não é diferente agora, no contexto da pandemia. Estados e municípios podem aprender uns com os outros e, assim, mitigar os impactos deixados na vida escolar de milhões de jovens e crianças. Mesmo frente às especificidades de cada local, redes de ensino em todo o País têm desafios comuns. Nesse sentido, conhecer as estratégias bem-sucedidas de reabertura das escolas em diferentes redes é fundamental.

Uma dessas estratégias de sucesso encontramos no município paulista de Atibaia. Desde a suspensão das aulas presenciais, a cidade tem se destacado no planejamento do retorno às atividades presenciais. O município, que vivenciou troca de lideranças em decorrência das eleições municipais, conseguiu materializar a estratégia de reabertura das escolas, conforme planejado pela equipe em 2020.

A partir da necessidade de operacionalizar protocolos de biossegurança, a Secretaria de Educação, em parceria com a Secretaria de Saúde do município, priorizou formações práticas presenciais para os profissionais diretamente envolvidos ao retorno das aulas. Tal iniciativa preparou as equipes para os procedimentos necessários nas diferentes situações vivenciadas no ambiente escolar no contexto da pandemia, garantindo maior segurança no retorno.

Cascavel, no interior do Paraná, adotou como estratégia de reabertura a condução de um projeto-piloto. O município selecionou algumas escolas e realizou testagem prévia em todos os profissionais e estudantes envolvidos no retorno às aulas presenciais. Após a retomada das aulas nas unidades, houve retestagem e foi constatado que as escolas não eram focos de transmissão da Covid-19, o que permitiu à rede ampliar o processo gradativamente para outras unidades, tendo como referência o coeficiente de incidência de casos nas diferentes regiões da cidade. A rede também inovou ao vacinar os profissionais da Educação por escolas, ação que aprofundou a percepção coletiva de segurança com relação à continuidade das atividades presenciais nas escolas.

A comunicação direta e frequente do município paranaense com a comunidade é outro pilar inspirador, especialmente em um cenário de tanta desinformação. Nas mídias sociais, a Secretária de Educação conversa com a população, informando com antecedência as medidas que serão adotadas. Essa iniciativa permite que, mesmo diante de contextos desafiadores – como suspensão ocasional das atividades presenciais – estudantes, familiares e profissionais da Educação acolham e sintam confiança com relação às decisões.

Na Bahia, a cidade de Mata de São João realizou uma reabertura gradual, com adaptação da infraestrutura das escolas e investimentos em itens de proteção individual para os estudantes e profissionais da Educação – graças à reorganização de verbas da rede.

Esses são alguns de muitos exemplos pelo país afora que dá para reagir, há caminhos que dão certo. Mesmo com as novas dificuldades do contexto recente, agravadas pela falta de coordenação e diretrizes do Governo Federal, estados e municípios vêm construindo, cada um com a sua realidade e com os seus recursos, alternativas para reduzir os impactos da pandemia no fechamento das escolas. Há exemplos de políticas coerentes e bem-sucedidas antes e durante a pandemia que devem servir de inspiração para a reconstrução das trajetórias escolares. São programas de combate à evasão escolar, avaliações diagnósticas, acolhimento e recuperação de lacunas no processo de ensino-aprendizagem que estão em vigor em redes públicas como as de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco – tudo documentado no Educação Que Dá Certo.

Nunca foi tão importante compartilhar, estudar e aprender com as políticas públicas que dão certo. São mais que boas notícias, são provas de que é possível fazer, mas não sem comprometimento, vontade política e troca de experiências. Convidamos todos para conhecer mais sobre essas e outras boas experiências na plataforma: educacaoquedacerto.todospelaeducacao.org.br

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