Luiz Gonzaga Belluzzo

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Economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.

Opinião

O que as confissões da sobrinha de Trump nos dizem sobre Bolsonaro 

Talvez os brasileiros entendam as observações de Mary Trump como um guia para a compreensão do comportamento de Bolsonaro e de sua trupe

Foto: Agência Brasil
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“Se a alma for deixada na escuridão, pecados serão cometidos. O culpado não é aquele que comete o pecado, mas aquele que causa a escuridão.” 

Victor Hugo, Les Misérables

Tomei de empréstimo de Mary Trump essa epígrafe que reproduz a frase de Vitor Hugo no livro Os Miseráveis. Mary é sobrinha do facínora Donald e sobre ele escreveu o livro Too Much and Never Enough, que trata das origens e fundamentos freudianos da insanidade do ex-presidente americano.

Em entrevista recente, reproduzida no site americano Alternet, Mary Trump expõe o agravamento das condições mentais do tio ex-presidente após os depoimentos que confirmam sua participação incentivadora da invasão do capitólio pelos asseclas também ensandecidos. 

Mary Trump também é apresentadora do podcast The Mary Trump Show. Ela diz que encontrou nas audiências do comitê que investiga a invasão ao Capitólio revelações sobre seu tio “difíceis de processar”.

“A parte mais gritante saber o quanto as pessoas ao redor de Donald por muito tempo sabiam disso”, diz ela. “Nenhuma de suas crueldades deve nos chocar, mas, sim, o tempo que [essas pessoas] permaneceram em silêncio, por quanto tempo elas o protegeram, sabendo o que sabiam. E não quero dizer em tempo real. Quero dizer, quando surgiu a oportunidade de fazer alguma coisa, mesmo depois de 6 de janeiro. “O silêncio, a capacidade de continuar admirá-lo é notória e incompreensível.”

Mary Trump diz que as condições de saúde mental de seu tio são “graves e estão se deteriorando”. Qualquer doença grave que não seja tratada, de fato, piora com o tempo. “Ele é viciado em estar no centro das atenções. (…) Para ele, sentir que o foco está se afastando dele ou que ele está perdendo poder vai piorar as coisas, porque ele não vai e processar e lidar com isso. Ele vai rejeitar e, portanto, piorar sua situação.”

“Eu mal posso imaginar como é estar em perto dele agora. Tenho certeza que seu temperamento e o narcisismo fora de controle devem ser indescritivelmente difíceis para as pessoas ao seu redor – não que eu tenha compaixão por qualquer um deles neste momento, mas sim, só vai piorar daqui.”

Reproduzi a fala de Mary quase literalmente para oferecer um retrato do sociopata que governou os Estados Unidos por quatro anos, e que imagina voltar ao poder nos ombros de uma matula de sociopatas de menor expressão.

Talvez os brasileiros entendam as observações de Mary como um guia para a compreensão do comportamento de Bolsonaro e de sua trupe de seguidores (ou seriam sequazes?). Assim como Trump questionou o resultado da eleições americanas e estimulou meliantes a invadirem o Capitólio, Bolsonaro – acolitado pelo Ministro da Defesa, Paulo Sérgio de Tal – não cessa de injetar histamina antidemocrática  em seus asseclas doidivanas.  

Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

Luiz Gonzaga Belluzzo

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