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O papel da educação integral e democrática para crianças e adolescentes
A proibição dos celulares nas escolas é um começo, mas é preciso investir em uma educação integral, pautada por valores e virtudes democráticas, para enfrentar os desafios contemporâneos
Educação e saúde mental têm ganhado espaço no debate público — e com razão. Os problemas de saúde mental entre adolescentes estão em alta, especialmente em um ambiente dominado pelas tecnologias. Nesse contexto, a escola — e, por extensão, a educação — assume papel central.
Dados da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que monitora os atendimentos do SUS entre 2013 e 2023, indicam aumento expressivo nos casos envolvendo crianças de 10 a 14 anos e jovens de 15 a 24 anos, especialmente a partir de 2022. Os transtornos mais recorrentes são ansiedade, depressão e TDAH. Entre os fatores associados, destacam-se o uso excessivo de celulares, jogos eletrônicos e os impactos da pandemia de COVID-19.
Jonathan Haidt, psicólogo e autor de A geração ansiosa: Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais, reforça essa conexão. Segundo ele, o uso intensivo do celular afeta, sobretudo, crianças e adolescentes. Embora os sinais do problema tenham começado a surgir nos anos 2000, a associação direta com o uso de redes sociais só ganhou força a partir de 2012, quando os índices dispararam. O que se vê nas redes não é apenas conexão entre amigos, mas uma lógica de performance em busca de curtidas e reconhecimento — muitas vezes de desconhecidos.
Haidt classifica a crise como um problema coletivo que exige respostas coletivas. Defensor da proibição do uso de celulares nas escolas, ele argumenta que a simples presença do aparelho entre os colegas reforça o desejo de usá-lo.
Mas a proibição, por si só, é insuficiente. É essencial oferecer alternativas que promovam o bem-estar emocional. Escolas, professores e famílias precisam de ferramentas que ajudem crianças e adolescentes a lidar com um mundo onde a tecnologia é permanente.
Nesse sentido, a educação integral se destaca como caminho promissor. Trata-se de uma abordagem que vai além dos conteúdos tradicionais, como matemática e português, e que valoriza o desenvolvimento de competências socioemocionais e o cultivo de virtudes democráticas — essenciais para a vida em sociedade.
Essa visão pode se materializar por meio de propostas curriculares com abordagem integral: projetos transversais, formação integrada da equipe pedagógica, atividades complementares no contraturno alinhadas ao currículo formal, entre outras iniciativas.
O foco dessas práticas deve ser a vivência e a reflexão sobre virtudes como diálogo, empatia, disciplina, responsabilidade, respeito e tolerância. Mais do que transmitir conteúdo, é preciso criar experiências significativas. Assim, a educação integral se consolida como uma resposta potente aos desafios emocionais e sociais do século XXI.
A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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