O agrário de Jango não era nada a mais do que a agricultura familiar e os assentamentos MST de hoje em dia

Entre as reformas propostas e impedidas por Jango, estava um modelo amplo, abrangente, sobretudo para as regiões Norte e Nordeste

O ex-presidente João Goulart

O ex-presidente João Goulart

Opinião

No meu blog, incrustado no GGN de Luís Nassif, iniciei uma série de textos que, junto a situações pessoais por mim passadas, procuram esquartejar a História do Brasil, a partir de 1960, mas não como quer fazer o deseducativo ministro Weintraub.

Comecei por Jânio Quadros e João Goulart. Não como se fossem resenhas ou exposições biográficas, que tantas há, longas e muito melhores do que eu saberia fazer.

Trato de idiossincrasias, pequenos fatos e características, personagens menos proeminentes de seus governos. Eu, sempre nisso tudo. Seja pela memória já cansada ou pelos livros que habitam essas estantes e de que não sei o fim que levarão.

A chapa Jan-Jan (PTN/PTB) levou as eleições de 1960 contra o marechal Henrique Teixeira Lott (PSD) e o governador paulista Adhemar de Barros (PSP). Respectivamente, 48%, 33% e 19%. Na época, não havia um William Bonner para dizer, “com variação de 2% para mais ou para menos”, uma besteira das pesquisas atuais.

Fato é que Jânio, entre medidas contraditórias e bilhetinhos, governou por apenas sete meses. Renunciou alegando forças ocultas, em 25 de agosto. Foi quando se iniciou o calvário para a posse do vice-presidente.

Jango estava na China de Mao, e a mesma direita que Jânio chamava de “forças ocultas”, tentava impedir sua posse.

Foram dias travosos até sua volta. Acabou tomando posse no Congresso Nacional, em 8 de setembro, com apenas 43 anos. Teriam vencido a Constituição e a democracia? No mucho. Dentro de um regime parlamentarista aprovado pelo Congresso, seis dias antes, com Tancredo Neves (PSD-MG) primeiro-ministro. Na época, um inerte, que nunca se sobressaiu a Jango, tanto que seu herdeiro político é um Aécio.

A história e as crises do período Jango se desenvolvem até 31 de março de 1964, quando um golpe civil-militar o derruba e assume uma Junta Militar. Daí em diante, imploro, leiam livros. É uma história que define o Brasil atual.

Mas, a missão em CartaCapital me conduz ao agrário, embora aqui eu nunca pareça pop, tech ou tudo. Até hoje não entendo se sou eu o imperceptível ou o agrário é que é.

João Goulart, em seu período de governo, embora parecesse e disso fosse acusado, nunca mostrou garras de esquerda. Seu cunhado, Leonel Brizola, sim.

Seu ministério me lembra a “Carta aos Brasileiros”, de Lula, para ser eleito, mesmo que pouco aceito pelos endinheirados e aqueles que se acham classe média, mesmo sendo pobres. Conciliação!

Foram 62 nomes, dos melhores aos piores. Cito os primeiros, os demais são pares da equipe do Regente Insano Primeiro (RIP): Celso Furtado, Darcy Ribeiro, Eliezer Batista, Evandro Lins e Silva, Franco Montoro, José Ermírio de Morais, Paulo de Tarso Santos, Roberto Lira, San Tiago Dantas, Ulysses Guimarães, Walther Moreira Salles.

Comparem esses brasileiros aos atuais alienígenas de RIP.

No agrário quem mais lutava pela reforma eram as Ligas Camponesas, comandadas por Francisco Julião, descritas por Gondim da Fonseca e Vitor Nunes Leal, entre outros, apoiadas pela Sudene, de Celso Furtado.

Entre as reformas propostas e impedidas por Jango, estava um modelo amplo, abrangente, sobretudo para as regiões Norte e Nordeste. O bicho pegou. Grandes latifundiários espalharam-na como projeto comunista.

Tivessem evoluído, em nada impediriam a normal tração da produção extensiva para exportação de grãos, e os excelentes aparelhos desenvolvimentistas, feitos nos governos militares. Embrapa, Proálcool, Cerrado, Emater, infraestrutura, fábricas estatais de fertilizantes.

Hoje em dia, teríamos um país mais equilibrado entre a produção de alimentos exportáveis e o de pequenas propriedades voltadas para o consumo interno e local, porém assistidas técnica e financeiramente, sem o êxodo rural que teve seu pico em 1985.

A Reforma Agrária do período João Goulart não era nada a mais do que a Agricultura Familiar e os Assentamentos MST de hoje em dia.

Perdemos meio século. Inté.

Este texto não reflete necessariamente a opinião de CartaCapital.

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Criador e consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.

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