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Neymar na Copa?
À medida que se aproxima a competição internacional, o craque vai dando mostras do seu amadurecimento
Alguns indícios e resultados esportivos trazem certa esperança em tempos tão atribulados pelo mundo.
Trata-se de boas iniciativas que começam a produzir bons frutos.
Iniciando pelo nosso futebol, menciono a decisão acertada de prorrogar o contrato de Carlo Ancelotti pela nova direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
O Botafogo seguiu o mesmo caminho, estendendo o contrato com o excelente treinador Artur Jorge menos de um mês depois de iniciado o anterior.
Essa é uma visão de longo prazo que contrasta com o mau hábito de trocar os técnicos assim que acontecem alguns percalços – algo bom para a farra de contratações de novos jogadores, mas ruim para a qualidade do trabalho.
Nada impede, obviamente, que haja movimentações no meio do caminho, mas passa a existir ao menos um projeto de médio e longo prazo.
Atualmente, essa função fica por conta dos diretores profissionais, mas contar com um técnico experiente e atualizado abre novas perspectivas para as vitórias e o sucesso exigidos pelos torcedores.
Ao mesmo tempo, vemos no cenário nacional uma grande confusão.
Certas SAFs, como a do Botafogo, surgem em anúncios que parecem mais um balcão de negócios do que um projeto esportivo.
Seguem ainda as confusões dos calendários, que implicaram mudanças de datas de clássicos importantes depois de jogos na altitude e disputas de vários campeonatos ao mesmo tempo.
Como o calendário é muito apertado, quando há necessidade de se cancelar algum jogo por uma questão climática ou de qualquer natureza, todos se veem sem saída.
E aí o que lhes resta é jogar com times mistos, ou até da base, e priorizar uma disputa ou outra – como está acontecendo com o Vasco e outros.
Curiosa é a situação do União Recreativa dos Trabalhadores (URT), de Patos de Minas (MG), que armou um bom time com a previsão de quatro meses de atividade e foi se classificando.
Como resolver a situação dos profissionais e acomodar os compromissos familiares e pessoais aos interesses dos parceiros e patrocinadores?
Essas situações que vivemos por aqui contrastam profundamente com o momento que se vive na Europa, com a chegada das fases finais da Champions League.
Os jogos, em ritmo acelerado, têm sido espetaculares.
Foi impressionante a atuação de Lamine Yamal, do Barça, tomando as iniciativas de jogo com total liberdade, embora a equipe tenha sido eliminada por um Paris Saint-Germain resiliente.
O treinador Diego Simeone, do Atlético de Madrid, está à frente do time há uma década; essa estabilidade é fundamental para manter a competitividade em alto nível.
Pela outra banda do melhor campeonato de futebol no mundo atual, o excepcional Ousmane Dembélé continua confirmando sua posição de destaque com uma efetividade marcante no PSG.
Seu comportamento de alta concentração e sua regularidade impressionam, mantendo um rendimento extraordinário.
À medida que se aproxima a Copa do Mundo, surge também a esperança em relação ao “caso Neymar”.
Em meio às discussões antagônicas, o craque vai dando mostras do seu amadurecimento, mesmo que pareça que quase todos o vejam ainda como o “Menino da Vila” que ele não é mais.
Ao mesmo tempo que reconhece com lucidez sua trajetória, ele se mostra firme em defesa de sua atuação pessoal e humana.
Neymar está correspondendo à altura.
Cobrado por alguns torcedores, respondeu: “Estou dando a vida aqui”. Vai se saindo bem do vulcão em que se meteu; agora é encontrar a tranquilidade necessária. •
Publicado na edição n° 1409 de CartaCapital, em 22 de abril de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Neymar na Copa?’
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