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Na ponta do lápis
Às vésperas da Copa, os torcedores acompanham com apreensão a lista de convocados (e cortados) das seleções nacionais
Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo, o noticiário esportivo está recheado de acontecimentos instigantes para os torcedores. Ao mesmo tempo que vai se encerrando a temporada europeia, começam a sair as listas preliminares dos convocados de várias seleções nacionais. As mesas-redondas estão ouriçadas com a situação aflitiva dos jogadores que disputam posições, os casos de lesões que colocam em dúvida algumas convocações e o sentimento de desolação dos afastados em definitivo do Mundial.
É o caso de Estêvão, de 19 anos. O jovem atacante sofreu uma lesão muscular grave na coxa direita durante uma partida entre o Chelsea e o Manchester United. Para não ficar de fora da Copa, tentou seguir um tratamento mais conservador, em vez da cirurgia recomendada. O esforço foi em vão. Com um prognóstico complicado, não foi incluído na pré-lista de 55 nomes enviada pelo técnico Carlo Ancelotti à Fifa em 11 de maio.
Adversários do Brasil enfrentam problemas semelhantes. É curioso o caso de Arrascaeta na seleção uruguaia. O meia do Flamengo sofreu fratura na clavícula direita durante uma partida contra o Estudiantes da Argentina, em abril último. Apesar da gravidade da lesão, ele tem chances de se recuperar antes da Copa e, talvez, até aproveite o período de tratamento para descansar após a maratona de jogos no rubro-negro. Ele já apresentava sinais de exaustão e pode chegar ao Mundial em melhores condições do que antes.
Na França, a dúvida recai sobre Mbappé, que sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda também em abril, durante um treino do Real Madrid. O problema gerou apreensão devido à proximidade da Copa, mas a expectativa é de um retorno aos gramados a tempo de participar do torneio.
Por aqui, o caso mais comentado continua a ser a convocação (ou não) de Neymar. O tema virou obsessão no noticiário esportivo, o que tende a prejudicar o próprio atleta. Neste momento, tudo o que ele precisa é de um pouco de paz, para conseguir demonstrar em campo todo o seu talento.
Nesta altura, amadurecido e mantendo a regularidade nas atuações pelo Santos, acredito que ele tenha todas as condições de disputar o Mundial, e ficarei surpreso se seu nome não constar na lista de convocados do dia 18. Se estiver certo, o maior desafio será sua integração ao time, ponto central do trabalho coletivo que Ancelotti preza, com toda razão. O treinador parece já encaminhar seu trabalho de gestão emocional, ao afirmar que o talentoso jogador é “muito amado” pelos torcedores e pelos seus companheiros.
No universo dos clubes, a atenção converge para o Real Madrid. Considerado um dos maiores do mundo, por sua história gloriosa, o time desta vez não conseguiu escapar da crise. Bastou elogiarmos, há algum tempo, sua regularidade vencedora e tudo começou a desandar.
A montanha começou a desmoronar com a perda do título do Campeonato Espanhol para seu principal rival, o Barcelona. A partir de então, veio à tona o ambiente conturbado dentro do clube, com desacertos na convivência do elenco estelar. Quando os “egos” inflam, o vulcão explode.
Cenas de desentendimento entre os jogadores já apareciam mesmo durante os jogos. O último ocorreu em um treino, com a lamentável briga protagonizada pelo uruguaio Federico Valverde e o francês Aurélien Tchouaméni. Acabou sobrando até para uma figura lendária do time merengue, o presidente Florentino Pérez, consagrado homem de negócios.
Ao tentar explicar o ambiente tumultuado, além das desavenças comuns nos vestiários, Pérez passou a relembrar problemas antigos da relação do clube com a La Liga em questões de arbitragem e outros interesses. A situação piorou com a reação dos dirigentes da federação espanhola, que chegaram ao ponto de acusá-lo de mentir.
A necessidade de reformulação do Real Madrid já era evidente pela grande diferença de pontos em relação ao Barcelona na reta final do campeonato. Desta vez, houve reação até de antigos ídolos do clube, que se manifestaram contrários ao especulado retorno do treinador português José Mourinho ao comando da equipe.
Felizmente, o brasileiro Endrick escapou de vivenciar o período mais turbulento da crise. Estava emprestado ao Lyon, onde se destacou. O jovem atacante havia sido cedido ao clube francês, mas, em mais uma demonstração do domínio administrativo dos espanhóis, o contrato não previa uma cláusula de opção de compra com valor fixado ao término do empréstimo.
P.S.: Parabéns ao Praia Clube, de Uberlândia, e ao Cruzeiro pelas conquistas na Superliga de Vôlei Feminino e Masculino. •
Publicado na edição n° 1413 de CartaCapital, em 20 de maio de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Na ponta do lápis’
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