

Opinião
Na estrada
Governo federal lança linha de crédito de 10 bilhões de reais para renovar a frota nacional de caminhões
O governo federal abriu uma nova frente de estímulo ao transporte rodoviário com o lançamento de uma bilionária linha de crédito para a compra de caminhões novos e seminovos. A iniciativa disponibiliza 10 bilhões de reais em financiamentos a juros baixos, combinando recursos do Tesouro Nacional e do BNDES, principal agente das operações de crédito. A medida mira especialmente caminhoneiros autônomos, cooperativados e empresas de transporte, reservando parte do orçamento exclusivamente a profissionais independentes, considerados os mais vulneráveis do setor.
De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o Brasil encerrou 2024 com perto de 2,24 milhões de caminhões em circulação, o equivalente a 3,6% do total de veículos do País. Boa parte desses pesados já ultrapassou 15 anos de uso.
Pelas novas regras, caminhões seminovos fabricados a partir de 2021 poderão ser financiados, desde que estejam de acordo com a legislação específica de emissão de dióxido de carbono (CO₂). Já os movidos a eletricidade ou biometano terão condições de financiamento mais vantajosas, numa tentativa de incentivar a transição para uma frota menos poluente. O programa também dialoga com outra linha já criada, de 6 bilhões de reais, dedicada à retirada de caminhões muito antigos, oferecendo bônus e condições especiais para quem entregar veículos com mais de 20 anos.
Beleza italiana
O Grupo Alfaparf, da Itália, comprou a paulista Coferly, focada na produção de cosméticos para terceiros, reposicionando o mercado brasileiro como hub estratégico para abastecer a América Latina, a Europa e outros destinos. Com o negócio, o Brasil passa a concentrar ao redor de um terço de sua produção mundial, com potencial para fabricar até 300 milhões de itens de beleza por ano, em especial tinturas e produtos capilares.
A subsidiária brasileira, que já era a primeira em faturamento, responde por em torno de 16% da receita global da Alfaparf. Agora, ganha peso ainda maior na estratégia de crescimento da empresa, tornando-se uma vitrine de inovação por conta da diversidade de tipos de cabelo que existem por aqui. A operação no País deve servir de laboratório para produtos voltados a mercados emergentes, com foco em custo competitivo e alta escala.
O Grupo Alfapart foi fundado em 1980, na região de Milão, pelo empresário Roberto Franchina. O foco de negócios foi o mercado profissional, especialmente com produtos para coloração e tratamento capilar. Em poucos anos se consolidou como o maior grupo italiano de cosméticos profissionais. Hoje, com presença em dezenas de países, registra faturamento anual em torno de 460 milhões de euros.
Wegovy no marketplace
A Amazon deu um passo importante no bilionário mercado de remédios para emagrecimento ao iniciar, em janeiro, a venda da pílula de Wegovy em sua unidade de farmácia digital nos EUA. Produzido pela dinamarquesa Novo Nordisk, o medicamento em comprimido leva a semaglutida para um formato oral de uso diário. A oferta é feita exclusivamente pela sua operação farmacêutica, a Amazon Pharmacy.
O produto em pílulas é um grande negócio pelo conforto de uso e pelas vantagens logísticas: transporte em veículos comuns, sem necessidade de armazenagem em baixas temperaturas. Com o produto sendo distribuído em larga escala, a expectativa do mercado é de que o faturamento da empresa com o segmento de emagrecedores alcance 36 bilhões de dólares. No Brasil, embora a versão injetável de Wegovy já tenha aval da Anvisa, ainda não há previsão oficial para a chegada das pílulas.
IA com bula
A Eli Lilly e a Nvidia uniram forças para construir uma “fábrica de IA” dedicada à descoberta de novos medicamentos, em um modelo que aproxima as big pharmas das big techs. Pelo acordo, a farmacêutica aporta sua massa de dados clínicos e biológicos e o conhecimento em pesquisa e desenvolvimento. A gigante de chips entrega supercomputadores, infraestrutura em nuvem e plataformas de Inteligência Artificial generativa voltadas à biologia e à química, como o ecossistema BioNeMo.
O pacote prevê até 1 bilhão de dólares em investimentos em cinco anos para erguer um laboratório de inovação, com um dos supercomputadores mais potentes já usados pela indústria farmacêutica. A ambição da Eli Lilly é encurtar drasticamente o tempo e o custo de desenvolvimento de medicamentos em áreas como obesidade, câncer e Alzheimer, enquanto a Nvidia consolida sua posição como infraestrutura-padrão de IA em saúde, ampliando receitas em hardware, software e serviços para o setor. •
Publicado na edição n° 1396 de CartaCapital, em 21 de janeiro de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘Na estrada’
Este texto não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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